Quando em novembro membros do Estado Islâmico fizeram 130 mortos em Paris, o grupo terrorista avisou que mais ataques estariam para vir. A Europa pagaria pelos bombardeamentos na Síria com o sangue de inocentes novamente. Quatro meses passados e a promessa foi cumprida.

Às portas da sede da União Europeia, na capital da Europa, dois atentados fizeram esta terça-feira 31 mortos e 250 feridos, incluindo uma portuguesa, pouco passava das oito da manhã. Três explosões bastaram: duas no aeroporto de Zaventem fizeram 11 mortos e uma na estação de metro de Maelbeek outros 20.

Horas mais tarde chegaria a confirmação, foram homens do Estado Islâmico os causadores do novo massacre em solo europeu. Três, mais exatamente, dois que se fizeram explodir em pleno aeroporto e outro que se tornou no homem mais procurado da Europa, ocupando o lugar que era de Salah Abdeslam ainda há dias. Terá entrado em pânico e não se fez explodir.

As câmaras de vigilância do aeroporto captaram a imagem desses três homens que chegaram de táxi ao terminal das partidas e transportavam malas em carrinhos. A polícia belga partilhou um recorte dessa imagem com um dos três suspeitos, pedindo informações sobre o indivíduo.

A ida de táxi para o aeroporto facilitou o trabalho da polícia na localização do apartamento dos suspeitos, no bairro de Schaerbeek, e que já foi alvo de buscas pelas autoridades. Foi o taxista que os transportou que indicou o local de onde tinham saído. Neste apartamento a polícia encontrou engenhos explosivos, produtos químicos e uma bandeira do Estado Islâmico.

Este, aliás, confirmou ao diário Het Laatste Nieuws que a intenção dos terroristas era levar cinco malas, duas a mais do que as que efetivamente transportaram para o aeroporto de Bruxelas. Os três homens tinham pedido uma viatura grande e ficaram aborrecidos quando chegou uma pequena, em que não cabiam cinco malas, segundo o relato do taxista, divulgado na terça-feira por aquele meio.

Esta informação legitima a consideração de que a intenção dos terroristas era colocar mais carga explosiva no aeroporto internacional de Bruxelas do que aquela que foram capazes de levar, acondicionada em três malas.

Além do bairro de Schaerbeek, a polícia belga está a realizar operações policiais em vários pontos de país.

No meio da tragédia, há histórias de quem parece ter fintado o destino, escapando à morte. Muitas envolvem portugueses. Um português relatou à TVI24 como escapou à morte por minutos. Outro, a trabalhar no aeroporto de Bruxelas descreveu os momentos de pânico que ali se viveu. Em Bruxelas, onde vivem centenas de portugueses, outro cidadão nacional conta como um alerta no telemóvel lhe salvou a vida. Outra portuguesa, decidiu ir trabalhar mais tarde e não apanhou o metro. O correspondente da TVI, Pedro Moreia, estava a apenas 500 metros da estação de metro onde se deu o atentado, e o eurodeputado Pedro Silva Pereira vive a apenas 100.