O arcebispo de Kirkuk, no Iraque, afirmou na noite de segunda-feira que mais de mil cristãos foram «vítimas do fanatismo» do autoproclamado Estado Islâmico, considerando os que perderam a vida como «mártires».

Yuosif Mirkis esteve na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no Seixal, onde deu o seu testemunho sobre a situação da igreja católica.

«Um bispo, cinco sacerdotes e mais de mil cristãos foram vítimas do fanatismo nos últimos 10 anos, mas em especial nos últimos dez meses, quando o Estado Islâmico assumiu o poder em Mossul».


Yuosif Mirkis explicou depois que muitas pessoas «que perderem tudo menos a sua fé» foram recebidas em Kirkuk, afirmando que todos os dias assiste ao «milagre da hospitalidade».

«Uma casa em Kirkuk com quatro quartos recebeu 71 pessoas, que dormiam por turnos. Todos os dias assisto ao milagre da hospitalidade e o nosso sacrifício vai salvar o mundo», defendeu.

«Não é normal que as pessoas façam o que o Estado Islâmico faz. Nunca devemos tentar compreender quem faz mal, porque não há teologia sobre o mal», acrescentou, considerando que são atos de terrorismo e que o Estado Islâmico vai «desaparecer».

Yuosif Mirkis abordou também a situação que se vive no Mar Mediterrâneo, considerando que a Europa não dá valor ao que tem.

«Vejam o que se passa em Lampedusa, onde três mil pessoas morreram a querer vir para o El Dorado, que é a Europa, mas as pessoas na Europa não estão contentes. A Europa não sabe o que é a guerra há 71 anos e na sorte que tem em viver em paz»


O arcebispo de Kirkuk considerou mesmo a situação que se vive no Mediterrâneo um «inferno».

«São jovens que morrem afogados a querer vir para a Europa. Devíamos dizer a esses jovens para pararem com a guerra, para em vez de morreram afogados no Mediterrâneo construírem o seu país», concluiu.