A comunidade internacional tem que assegurar que os «partidários do caos não triunfam» na Líbia ou noutros locais e que a «vanguarda mais sanguinária do jihadismo» não avança na região, disse o ministro das Negócios Estrangeiro espanhol.

José Manuel García-Margallo falava no arranque em Madrid de uma conferência ministerial sobre a «estabilidade e desenvolvimento» da Líbia em que participam ministros de vários países, incluindo de Portugal, e representantes de organizações internacionais.

«Hoje a nossa principal responsabilidade é assegurar que os partidários do caos não triunfam, porque seguem pela vanguarda mais sanguinária do jihadismo», disse.

O ministro espanhol recordou que «para os mais fundamentalistas a Líbia é uma pedra preciosa» por gozar de uma «posição estratégica privilegiada», como fronteira entre o mediterrâneo e a Ásia, a proximidade ao corno de África e, sobretudo, a sua proximidade à Europa.

García-Margallo rejeitou a opinião dos que consideram que, depois do momento de esperança que foi a Primavera Árabe, incluindo na Líbia, o país e a região vivem hoje «um longo inverno».

«Apesar das aparências acho que quem pensa assim se engana. A história não se vive em estações, rege-se pelo tempo político que não nasce da natureza amassa da vontade das pessoas, unidas, tomar o destino nas suas mãos», disse.

Líderes políticos que devem «saber impulsionar uma autêntica reconciliação nacional, sobretudo em situações de emergência como a que se vive na Líbia».

O chefe da diplomacia espanhola, anfitrião do encontro, recordou que todas as novas ordens políticas são acompanhadas de ameaças, as «do velho regime e a dos que pretendem impor o caos, beneficiando da confusão».

«Ainda estamos a tempo de travar isso. Mas temos que responder com atos e não apenas palavras ao povo líbio. É o nosso dever. Temos que ajudar o povo líbio a conquistar um futuro melhor que o seu passado, algo que não possível com caos e discórdia», afirmou.

«Estamos aqui para os ajudar. Não os vamos deixar sós», disse.

Intervindo no mesmo encontro, Bernardino de León, enviado especial do secretário-geral da ONU para a Líbia, recordou que a reunião desta quarta-feira em Madrid decorrer num momento «crítico» para a Líbia.

Declarando-se satisfeito pelo elevado número de ministros presentes, especialmente de países da região, o diplomata afirmou que a comunidade internacional está empenhada em ajudar o povo líbio.

«Mas a solução para a atual crise da Líbia tem que ser uma solução líbia. Tem que ser negociada dentro da líbia», afirmou.

«Estabilizar a Líbia é essencial pelos esforços dos líbios mas é também do interesse internacional. Ignorar isso terá consequências tanto para a Líbia como para a segurança internacional», disse ainda.

Léon insistiu que as oportunidades «são limitadas e devem aproveitar-e» e defendeu que cabe a todos os presentes «unir esforços» para criar um clima que permita «que o processo político tenha êxito».

«E é importante enviar uma forte mensagem de cessar-fogo», disse, referindo-se às notícias que dão conta de novos conflitos.

O encontro de Madrid, onde participam, entre outros, o ministro dos Negócios Estrangeiros Rui Machete, «analisará os desafios que surgiram depois da crise líbia» procurando «complementar outras iniciativas internacionais que já estão em curso».

No encontro participam os países mais próximos à Líbia, nomeadamente o grupo de países europeus mediterrâneos Med 7, o Fórum 5+5 e o Grupo de Países Vizinhos da Líbia, que manteve o seu quarto encontro no Cairo a 25 de agosto.

Em concreto participam, a nível ministerial, delegações da Argélia, Chade, Chipre, Egito, Espanha, França, Grécia, Itália, Líbia, Malta, Tunísia, Marrocos, Mauritânia, Nigéria, Portugal e Sudão.

Participam ainda várias organizações internacionais incluindo a UE, a União pelo Mediterrâneo, a Liga Árabe e as Nações Unidas, relata a Lusa.