As apoiantes femininas do Estado Islâmico, no Iraque e na Síria, publicaram um manifesto sobre a conduta da mulher jihadista. O objetivo da Brigada Al-Khansaa é desmistificar mitos e recrutar novas apoiantes, especialmente árabes.

documento, traduzido para inglês e publicado no site anti-extremismo Quilliam, está divido em três partes. A primeira, refuta a civilização ocidental, especialmente em assuntos relacionados com feminismo e educação. Segue-se uma descrição da vida em territórios controlados pelo Estado Islâmico, nomeadamente a cidade de Mosul, no Iraque, e de Ragga, na Síria. Por fim, o grupo compara as vidas das mulheres que seguem as regras jihadistas e das que habitam a Arábia Saudita.

A Brigada Al-Khansaa considera que, atualmente, as mulheres «estudam coisas não relacionadas com a religião e que não têm serventia», o que as impede de casar cedo, contra a vontade de Deus.

«É considerado legítimo uma mulher estar casada aos nove anos. A maioria das raparigas puras casam-se aos 16 ou 17 anos, enquanto são jovens e ativas», lê-se no documento. 

Como solução, apresentam um plano de «educação ideal» para raparigas, entre os sete e os 15 anos. À medida que a idade avança, os temas passam a focar-se na religião e na educação dos filhos. O texto sugere que, depois do casamento, devem ficar escondidas e apoiar os maridos a partir de casa, assumindo um papel «sedentário». 

«A grandeza da sua posição, o propósito da sua existência é o dever da maternidade divina (...) Este é o papel fundamental e lugar de direito da mulher. É a maneira harmoniosa para ela viver e interagir no meio dos filhos, para criar e educar, proteger e cuidar da próxima geração vindoura».


Seguem-se críticas à educação ocidental. As extremistas consideram que a emancipação falhou às mulheres, que «não ganharam nada da ideia de igualdade entre os sexos, a não ser espinhos».

«O modelo preferido pelos infiéis do Ocidente falhou no minuto em que as mulheres foram ‘libertadas’ dos lares. Os problemas surgiram, um após outro, depois de adotarem ideias corrompidas e crenças de má qualidade de espírito, em vez da religião».


O manifesto critica ainda as mulheres dos Estados árabes do Golfo Pérsico, especialmente da Arábia Saudita. Lê-se que enfrentam «barbárie e selvajaria» por trabalharem lado-a-lado com homens, terem fotografias nos documentos de identificação e frequentarem «a universidade da corrupção» na cidade de Jeddah.

«As portas estão abertas para homens e mulheres, que se misturam nos corredores como se estivessem um país infiel na Europa (…) Além disso, os libertinos têm permissão para ensinar aos muçulmanos em universidades e espalhar ideias ateístas venenosas e corruptas entre eles, além de serem espiões».


A televisão saudita é descrita como «canais de prostituição e corrupção» e as escritoras são consideradas «mulheres perdidas». 

A ideia do documento é que as mulheres na Arábia Saudita e em outros Estados do Golfo migrem para a utopia que é o Estado Islâmico. Raqqa, a capital, é descrita como «um paraíso para os imigrantes», onde as famílias vivem «intocadas pela fome, ventos frios ou geada».