Um jovem ativista em Raqqa, a cidade síria que é considerada a capital do Estado Islâmico, tem filmado as ruas da cidade controlada pelos jihadistas através do telemóvel e partilhado as imagens no YouTube. Além disso, Abou Warid al-Raqqawi também gere a página de Facebook  «Raqqa está a sangrar até à morte silenciosamente», onde tem escrito depoimentos sobre a vida na cidade, particularmente desde o início da ofensiva liderada pelos Estados Unidos.

«Desde o início dos ataques aéreos que muitos combatentes do Estado Islâmico têm procurado refúgio em escolas, localizadas em áreas residenciais, para poderem usar civis como escudos humanos», escreve Abou.


Neste video, filmado a 29 de setembro, observa-se aquele que costumava ser um dos locais mais agitados da cidade, a praça em frente à torre do relógio, vazio e com as lojas fechadas.

Abou explica como os ataques aéreos da coligação têm afetado as rotinas em Raqqa, nomeadamente com a imposição de um máximo de quatro horas de eletricidade por dia.

«A eletricidade tem sido estritamente racionada desde o começo da intervenção ocidental. Só temos quatro horas de energia por dia. Como as forças da coligação destruíram as refinarias perto de Raqqa, o preço da gasolina aumentou significativamente, Muitos não conseguem suportar esse custo. As lojas que precisam de eletricidade para o seu negócio fecharam por tempo indefinido», afirma. 

Além do aumento do preço dos combustíveis, também o acesso a bens essenciais tornou-se mais difícil.

«O preço da comida disparou. O pão custa agora 150 libras sírias e antes dos ataques só custava 15», acrescenta.

No entanto, segundo o ativista, estes são problemas que não afetam os guerrilheiros: estes não só têm acesso a combustível de forma gratuita como recebem compensações monetárias, em dólares norte-americanos.



Abou afirma que faz parte de uma rede de cerca de 16 ativistas que se encontram na cidade e que trocam informações entre si para se protegerem, uma vez que os radicais proibiram toda a gente de filmar ou fotografar.

« O EI proibiu toda a gente de filmar ou tirar fotografias. Apenas a agência deles o pode fazer. Há poucos dias, prenderam quatro jovens por terem encontrado fotografias de áreas bombardeadas nos seus telemóveis.  Antes de sair asseguro-me sempre de que não há guerrilheiros do EI nas ruas onde pretendo passar.»