O presidente da Comissão de Assuntos Internos do Parlamento britânico, Keith Vaz, anunciou a abertura de um inquérito parlamentar para apurar as razões que levaram à detenção de David Miranda, um cidadão brasileiro que vive em união de facto com jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que assinou diversas notícias sobre o programa secreto de vigilância electrónica conduzido pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos no diário «The Guardian».

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Em entrevista ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, Keith Vaz, disse que vai pedir à Scotland Yard que justifique «o uso da lei antiterrorismo para deter pessoas que não parecem estar envolvidas em ações deste tipo».

«O que é extraordinário é que eles sabiam que se tratava do companheiro de Greenwald e, portanto, fica claro que não são só as pessoas envolvidas que estão a ser visadas, como também as pessoas ligadas aos envolvidos», afirmou. Na avaliação do deputado, isso representa «um novo uso da legislação antiterrorista».

«Vou escrever à polícia e pedir explicações, porque deter alguém nessas circunstâncias e, além disso, confiscar-lhe os pertences remete para uma aplicação diferente da legislação», avisou Keith Vaz. «Eles podem ter uma explicação razoável para a detenção e, se esse for o caso, então pelo menos saberemos e ficaremos preparados», acrescentou o deputado.

EUA garantem nada ter a ver com o caso

Os Estados Unidos da América sabiam que as autoridades britânicas iam interrogar o brasileiro David Miranda, mas a Casa Branca garante que nada teve a ver com o caso.

Questionado sobre a detenção, o porta-voz adjunto da Casa Branca, Josh Earnest, reconheceu que Washington foi informado por Londres de que as autoridades britânicas poderiam interrogar o cidadão brasileiro, mas garante que os EUA nada tiveram a ver com a retenção de David Miranda.

«O governo britânico alertou-nos, por isso sabíamos que era algo provável de acontecer», afirmou Earnest aos jornalistas, durante a habitual conferência de imprensa na Casa Branca. «Mas [a detenção] não foi algo que nós tenhamos pedido», garantiu o porta-voz.

De acordo com a BBC, Josh Earnest acrescentou que se tratou de uma decisão que coube única e exclusivamente às autoridades britânicas. «Os Estados Unidos não estiveram envolvidos nessa decisão», reiterou.