A Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos espiou mais de 33 milhões de chamadas telefónicas de telemóveis na Noruega em apenas um mês, noticiou esta terça-feira o diário norueguês «Dagbladet», citando documentos revelados por Edward Snowden.

A Noruega é o sexto país objeto de espionagem da NSA, depois da Alemanha, Brasil, Espanha, França e Índia.

«Os amigos não se devem vigiar mutuamente», afirmou a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, à televisão pública NRK.

«As informações e a cooperação em matéria de informações são legítimas, mas devem visar suspeitas concretas e ameaças concretas», disse, acrescentando que o governo norueguês vai abordar a questão com a administração norte-americana.

Segundo o jornal, a NSA não ouviu o conteúdo das comunicações, mas reuniu os respetivos metadados, ou seja, o número e identificação dos interlocutores e o local, data e duração das chamadas.

«É muito grave e é evidentemente inaceitável que existam programas de vigilância de cidadãos noruegueses com tal amplitude», considerou o diretor do organismo norueguês de proteção de dados (Datatilsyn), Bjoern Erik Thon.

«São dados que podem dizer muito sobre nós», acrescentou, também à NRK.

Ao «Dagbladet», as autoridades norueguesas disseram não ter conhecimento do programa de vigilância de comunicações e dois grandes operadores, a Telenor e Netcom, disseram ao jornal não ter dado acesso à NSA.

«No que diz respeito às atividades dos serviços de informações, não podemos comentar casos individuais», afirmou uma porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Oslo, Marit Andersen.

«Já dissemos que os Estados Unidos recolhem informações como todos os outros países», acrescentou.

Segundo o «Dagbladet», o caso abarca 33,2 milhões de chamadas efetuadas entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013, mas o programa de vigilância podia existir antes desse período.

Esses 33,2 milhões representam cerca de 10% de todas as chamadas telefónicas feitas na Noruega num mês, segundo o Datatilsyn, o que faz da Noruega, escreve o «Dagbladet», o país mais intensamente vigiado.