"Chocante" e "imperdoável". É assim, com um adjetivo forte e em jeito de ameaça que o Kremlin reage às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, que apontou diretamente Vladimir Putin como responsável pelo ataque com um agente neurológico contra um ex-espião russo em território britânico.

Em comunicado, o porta-voz do Presidente Putin, Dmitry Peskov, considera que a declaração de Johnson era não só "chocante" como também "uma indesculpável" quebra da decência diplomática.

Qualquer menção ou referência ao nosso Presidente não é nada menos do que chocante e imperdoável em termos de etiqueta diplomática".

Peskov sublinhou que o Kremlin "tem dito repetidamente que a Rússia não tem nada a ver com o que se passou".

A 4 de março, o ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, 33, foram encontrados inconscientes num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra, e estão hospitalizados em “estado crítico, mas estável”. Ambos foram expostos a um agente neurotóxico conhecido por Novichok.

Dias depois do ataque, numa intervenção no parlamento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, considerou “muito provável” que o Kremlin tivesse sido responsável pelo duplo envenenamento e decidiu pela expulsão de 23 diplomatas russos do país. Ontem, Moscovo optou por retaliar e anunciar a expulsão de diplomatas britânicos do país.

O MNE britânico, Boris Johnson, foi hoje mais longe, apontando Putin como autor da ordem do envenenamento de Skripal, em declarações durante uma visita a um museu em Londres.

O nosso conflito é com o Kremlin de Putin, e com a sua decisão - e pensamos que é altamente provável que tenha sido ele a decidir o uso de agente neurológico nas ruas do Reino Unido, nas ruas da Europa, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial".

Ainda antes destas declarações, Boris Johnson tinha considerado, num artigo assinado por si no jornal francês Le Parisien, que há "uma relação direta" entre o apoio que Putin dá ao regime sírio e o envenenamento de Skripal. Johnson diz que se trata de "uma demonstração adicional do comportamento perigoso do Presidente Putin".

Há uma relação direta entre a indulgência manifestada por Putin para com as atrocidades perpetradas por Baschar Al-Assad na Síria e o facto de o Estado russo não ter tido dúvidas em usar uma arma química em território britânico".

Boris Johnson também revela ter poucas dúvidas sobre a autoria do ataque contra Skripal, argumentando que o Novichok foi desenvolvido por cientistas russos a partir dos anos 1970, mas também que a Rússia é o único país que tem "um largo historial de assassínios por conta".