A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, convocou esta sexta-feira formalmente o embaixador russo junto das instituições comunitárias para “conversações” com Bruxelas.

“O Conselho Europeu pediu à Alta Representante, Federica Mogherini, para convocar o Chefe da Delegação da Federação Russa junto da UE para conversações com Bruxelas”, segundo um comunicado divulgado pelo serviço de Ação Externa da União Europeia. "O Chefe da Delegação foi instruído em conformidade pela Alta Representante e deverá chegar a Bruxelas este fim de semana para consultas com ela”, acrescenta o comunicado.

Um porta-voz do Kremlin, citado pela AFP, já lamentou esta decisão da UE, que surge na sequência do ataque químico contra o ex-espião russo Serguei Skripal e da filha, no Reino Unido.

Moscovo acusa Londres de tentar confrontação internacional

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, acusou hoje o governo de Londres de estar a arrastar os aliados do Reino Unido para “uma confrontação” com a Rússia referindo-se à decisão da União Europeia de convocar o embaixador da Rússia prestar explicações sobre o caso Skripal.

Lavrov, em declarações à agência russa RIA Novosti em Hanoi, no Vietname, disse que as autoridades britânicas “estão a forçar os seus aliados” a tomar medidas que visam a confrontação com Moscovo.

Alguns Estados membros da União Europeia estão a equacionar a hipótese de expulsar diplomatas russos, após o envenenamento do ex-espião, de acordo com um responsável europeu em Bruxelas.

“Alguns membros estão a considerar possíveis expulsões de diplomatas russos ou chamar os seus próprios diplomatas”, declarou o responsável, a coberto do anonimato, no final do primeiro dia de uma cimeira europeia em que os 28 acusaram a Rússia de estar “muito provavelmente” por detrás do envenenamento de Sergueï Skripal e da filha, a 04 de março, em Salisbury, no sudoeste de Inglaterra, e decidiram chamar o embaixador da UE na Rússia para “consultas”.