"Para começar, nenhum tratado diz nada sobre a separação de uma parte de um Estado-membro da UE e sobre o que se aconteceria a essa parte. Portanto, não estamos perante um problema jurídico, mas antes um problema político que requer uma solução política. A UE é tremendamente pragmática e flexível perante a realidade", afirmou Raul Romeva numa entrevista por escrito à Agência Lusa.










"Na realidade, não estamos a fazer nada de novo: desde 2004 entraram na UE 13 novos membros, de dos quais sete não eram Estados independentes em 1990. Com isto quero dizer que as instituições da UE já reagiram perante casos similares e sempre encontraram uma solução boa para todas as partes", afirmou.


"Uma exclusão da Catalunha da UE não beneficiaria ninguém: nem a Catalunha, nem a Espanha, nem a UE. Portanto, que sentido teria a sua exclusão? Apenas se poderia explicar na base da vingança espanhola e esse é um cenário que não faz sentido. Espanha será o primeiro país interessado na permanência da Catalunha na UE", sublinhou.


"Em relação ao euro, o mesmo governo espanhol admite que um Estado catalão poderia continuar a usa-lo desde o minuto um da independência", assegura Romeva, que dá o exemplo da Grécia para sustentar a sua argumentação sobre o pragmatismo de Bruxelas.




"Com um bom resultado eleitoral não temos nenhuma dúvida de que Espanha se vai sentar a negociar connosco. Também na UE se vão dar conta, em definitivo, de que este processo é irreversível e que, por isso mesmo, será melhor que o percorramos juntos, para que a transição seja mais fácil para todos", concluiu