O governo espanhol assegurou esta sexta-feira que a tese de doutoramento do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, passou nas análises anti-plágio feitas em dois portais especializados na deteção deste tipo de anomalias.

O executivo de Madrid publicou os resultados de dois programas (“software”) que assegura estarem entre os mais reconhecidos para detetar a possibilidade de plágio de um texto tanto a nível nacional como internacional: o Turnitin, utilizado na Universidade de Oxford (uma das mais importantes instituições de ensino do Reino Unido), e o PlagScan, que é uma referência na Europa.

A divulgação destes resultados antecedeu a publicação na internet durante o dia de este do texto integral da tese de Pedro Sánchez.

O primeiro-ministro espanhol decidiu na quinta-feira dar esse passo para dissipar as dúvidas sobre a originalidade do seu trabalho levantadas pela oposição e por vários órgãos de comunicação social.

O Governo espanhol sublinha que as análises feitas “determinam que o conteúdo da tese é original, superando amplamente os estudos de coincidência” feitos.

Pedro Sánchez tinha negado veementemente na quinta-feira que tenha plagiado a sua tese de doutoramento, garantindo que eram “rotundamente falsas” as dúvidas lançadas pelo líder político de um partido da oposição que depois foram desenvolvidas pela imprensa.

O presidente do Cidadãos (direita liberal), Albert Rivera, tinha solicitado na quarta-feira, num debate no parlamento espanhol, que Sánchez tornasse pública o seu trabalho de fim de curso, para acabar “com as suspeitas”, considerando que há “dúvidas razoáveis” sobre a publicação da sua tese.

Em seguida, o ABC (um jornal identificado com os valores de centro-direita) publicou na quinta-feira que o primeiro-ministro espanhol “copiou na sua tese artigos publicados por professores da Universidade de Cádis e da [Universidade] Carlos III anos antes”.

O jornal acrescentava que a tese apresentada em 2012, sobre a diplomacia económica do governo do ex-primeiro-ministro José Luís Zapatero, era até agora “zelosamente guardada”, tendo Sánchez “durante anos” recusado mostrá-la publicamente.

Até agora, o trabalho de Sánchez, que tem 342 páginas e está na biblioteca da Universidade Camilo José Cela, na localidade de ‘Villanueva de la Cañada’, arredores de Madrid, apenas podia ser consultado, depois de preenchido um formulário, não sendo autorizadas a realização de cópias.