Depois dos maus resultados nas recentes eleições regionais na Galiza e País Basco, o atual líder do PSOE, Pedro Sánchez, tem agora contra si o histórico antecessor Felipe González.

Em entreviosta à rádio Cadena SER, González terá dado mais uma estocada na liderança de Sánchez, revelando que este lhe confidenciara que o PSOE se iria abster na segunda votação da investidura do conservador de Rajoy. Nas Cortes, os socialistas acabaram por votar contra, deixando Espanha ainda sem novo governo.

Claro, sinto-me frustrado, como se me tivessem enganado. Não tinha necessidade”, disse Felipe González à Cadena Ser.

Além de assegurar que o atual secretário do PSOE, Pedro Sánchez, lhe dissera que se iria abster, González acha agora que a saída do atual líder é mais do que desejável.

Na cultura do partido, se o comité federal toma uma posição, seja a que seja, abstenção, não abstenção, voto contra, essa posição maioritária todo a assumem. E se o secretário-geral não a quer assumir, obviamente tem que se demitir", acrescentou González.

Se mudou de posição, desde logo não o explicou a ninguém e terá as suas razões: sinto-me enganado e ele criou a confusão no partido e muita mais no país", afirmou González.

Derrotas e afiar de facas

Confrontado com as palavras de González, Sánchez reagiu em comunicado. Afirma que respeita as opiniões do seu antecessor, mas não as valoriza. E garante que o comité federal do PSOE aprovou o não à investidura do novo governo do PP.

No início de setembro, o primeiro-ministro Mariano Rajoy viu chumbada a nova investidura no parlamento, com 180 votos contra 170. O cenário de novas eleições legislativas, as terceiras no prazo de um ano, continua a pairar sobre Espanha, caso até final de outubro o rei Felipe VI não consiga arranjar uma solução governativa.

A votos foram, entretanto, galegos e bascos no passado domingo, com o PSOE a sofrer um revés.

No País Basco, a vitória voltou a sorrir aos nacionalistas, com os socialistas a perderem sete deputados. Na Galiza, o PP conseguiu a terceira maioria absoluta. E aí, o PSOE foi ultrapassado pela coligação que integra o Podemos e a Esquerda Unida.

Alguém terá de assumir a responsabilidade política por se ir de derrota em derrota, supondo que até à vitória final", sentenciou o antigo líder socialista, Felipe González.

Em curso e em pano de fundo está uma batalha interna no PSOE, com membros do comité federal do partido a tentarem tirar o tapete a Sánchez. Caso se demitam pelo menos 18, metade do total, o secretário-geral ver-se-á obrigado a abandonar o lugar.