O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, rejeitou esta quarta-feira que seja feita «política pequena» em torno da sucessão no trono, antecipando o corpo legislativo vai ser cumprido e as instituições fortes vão estar à altura das circunstâncias.

No encerramento da cimeira luso-espanhola que decorre esta quarta-feira em Vigado, Chaves, Mariano Rajoy foi questionado sobre o debate em relação ao futuro do regime político espanhol e a possível votação de outras forças partidárias sobre a lei orgânica que regula a abdicação do rei D. Juan Carlos.

«Este é um momento muito importante na vida da nação espanhola. O Governo de Espanha atuou com transparência e lealdade, informando todos os grupos políticos. Ninguém foi ignorado nem preterido», garantiu.

O primeiro-ministro espanhol considera que na atual situação do país não se pode «fazer política pequena» e que «Espanha é uma democracia avançada, com instituições fortes que vão estar à altura das circunstâncias e com um corpo legislativo que se vai cumprir», com toda a certeza.

Em relação a este debate sobre República ou Monarquia em Espanha, Rajoy enalteceu o comportamento dos dirigentes do Partido Socialista, considerando que este «foi sério, exemplar e com sentido de Estado» e portanto não tem «a mínima dúvida sobre qual vai ser a posição do Partido Socialista nas próximas datas».

Interrogado pelos jornalistas espanhóis sobre a norma que vai regular a figura do rei que abdicou, o governante explicou que este «é um processo apenas com 48 horas» e que é «provável que daqui a não muitos dias» as Cortes aprovem a lei orgânica que o Conselho dos Ministros enviou terça-feira.

Reiterando que este processo vai «demorar uns dias», Rajoy garantiu que o Governo vai aprovar o estatuto e a norma que regule a figura do rei que abdicou.

O ainda rei espanhol vai assinar a lei que determina que irá abdicar do trono numa cerimónia solene, no Palácio Real, que decorrerá na véspera da proclamação do seu filho como Felipe VI, avançaram hoje fontes da Casa Real.

Com essa assinatura e posterior publicação da lei orgânica da abdicação no Boletim Oficial de Estado, previsivelmente a 18 ou 19 de junho, terminará o reinado de Juan Carlos, cujo título poderá passar a ser conde de Barcelona, tal como ocorreu com o seu pai.

As Cortes espanholas preveem ainda a aprovação, até dia 18, a lei orgânica que marca esta alteração histórica em Espanha no Congresso e no Senado, tornando Felipe VI como o rei mais jovem de todas as monarquias do mundo.