O PSOE apresentou, esta sexta-feira, uma moção de censura contra Mariano Rajoy, depois de conhecida a sentença do “caso Gürtel”, um caso de corrupção no qual estaria envolvido o Partido Popular (PP), no poder. O Podemos já fez saber que apoia a moção de censura e o Cidadãos já fez saber que também apoia, sobretudo se isso implicar a convocação de eleições antecipadas.

De acordo com o jornal El País, a moção está assinada pelos 84 deputados do PSOE e Pedro Sanchez é apontado como candidato à presidência do Governo, caso Rajoy caia.

A decisão surge depois de, esta quinta-feira, ser conhecida a sentença do “caso Gürtel”. Um tribunal espanhol pesadas penas a vários políticos e empresários envolvidos num esquema de corrupção. O PP aparece o caso como beneficiário de financiamento indevido e foi condenado a pagar quase 250 mil euros. O tesoureiro do partido foi condenado a 33 anos e quatro meses de cadeia e ao pagamento de 44 milhões de euros, pelos crimes de branqueamento de capitais e delitos fiscais.

A moção surge depois de uma reunião que envolveu um intenso debate da cúpula do PSOE, esta quinta-feira. Foi entregue, esta sexta-feira de manhã, em mãos, no Parlamento, pela porta-voz do partido Margarita Robles.

Ainda na quinta-feira, o líder do Podemos já havia informado que apoiaria a iniciativa. Pablo Iglesias considerou que a decisão do “caso Gürtel” é a prova de que Espanha tem no poder “um partido delinquente” e que isso prejudica a democracia.

No Twitter, esta sexta-feira de manhã, o Cidadãos fez saber que apoia a iniciativa do PSOE, desde que sirva para a convocação de eleições antecipadas.

“A condenação por corrupção do Governo liquidou a legislatura. Necessitamos de um Governo limpo e forte, que afronte o desafio separatista. Apoiamos a solução democrática: ou Rajoy convoca eleições ou o faz o congresso com uma moção instrumental. O futuro será decidido pelos espanhóis”, escreveu Albert Rivera, no Twitter oficial do partido.

Já na quinta-feira, Albert Rivera, tinha anunciado que o seu partido iria avaliar o que fazer no resto da Legislatura e a sua relação com o Governo depois da sentença do "caso Gürtel" contra o Partido Popular (PP), que colocou o Executivo e o país em uma situação “tão grave”.

Há um antes e um depois" após a decisão do tribunal, disse Rivera.

Antes de saber da notícia da entrega da moção de censura, o vice-secretário de comunicação do PP, Pablo Casado, considerou que esta moção não seguiria em frente, já que "não teria a soma de votos necessária", sem o apoio dos Cidadãos ou de outros partidos.

Mariano Rajoy, chamado a prestar declarações ao tribunal no âmbito do "caso Gürtel", em julho de 2017, declarou na altura que não estava a par dos casos de corrupção quando estes tiveram lugar a partir de 1999 e que ele próprio decidiu, em 2004, cortar as relações que havia entre o PP e Francisco Correa, cujas empresas forneciam serviços a esse partido.

Este empresário, que é considerado o “cérebro” do “caso Gürtel”, foi na quinta-feira condenado a mais de 52 anos de prisão.

Durante o julgamento, Francisco Correa explicou um esquema em que entregava “envelopes” com dinheiro a funcionários públicos e responsáveis políticos eleitos pelo PP, para ajudarem certas empresas “amigas” a ganharem contratos de direito público.

Mariano Rajoy nunca foi envolvido diretamente no "caso Gürtel", mas os seus cargos de responsabilidade no PP têm levado os opositores a acusá-lo de ter “fechado os olhos” ao esquema. Este e outros escândalos de corrupção que envolvem membros do PP contribuíram para que o partido perdesse em dezembro de 2015 a maioria absoluta que tinha no parlamento espanhol.