A um dia de ter alta médica, uma doente de 86 anos morreu de forma inesperada no serviço de Medicina Interna do hospital Príncipe de Asturias, em Alcalá de Henares, nos arredores de Madrid. O caso assemelhava-se a outro ocorrido há dois anos e a polícia, desta vez, não teve dificuldades em apanhar a principal suspeita: recorreu a imagens de uma câmara secreta que estava instalada no serviço e deteve uma auxiliar hospitalar.

Beatriz L.D., a auxiliar, está detida preventivamente desde sábado, sem possibilidade de fiança, dada a possibilidade de ser acusada de homicídio premeditado. É a principal suspeita da morte da idosa, que terá sido assassinada com uma injeção de ar nas veias.

A causa da morte foi determinada pelos médicos que tentaram salvar a doente, quando esta inesperadamente piorou, um dia antes de ter alta. Segundo relata o jornal El País, a paciente não reagiu nem à medicação, nem às descargas de um desfibrilhador. A nada...

Face ao óbito inesperado, os médicos submeteram o cadáver a um TAC: encontraram uma grande quantidade de ar no coração, o que terá provocado a morte precipitada. Alertaram a polícia e as autoridades judiciais. As imagens da câmara que há dois anos gravava tudo, sem que ninguém no hospital soubesse, foram determinantes.

Caso não solucionado

Desde o verão de 2015, que a câmara de vigilância gravava o serviço de Medicina Interna dos hospital em Alcalá de Henares, desde a morte misteriosa de uma outra idosa, que também se preparava para ter alta.

A polícia espanhola inquiriu então vários funcionários mas não conseguiu deslindar o caso e pediu a uma juíza permissão para instalar uma câmara vigilância. A magistrada acedeu e, segundo relata o El País, todos os meses renovava a autorização.

A câmara foi instalada de forma discreta e de forma a que ninguém soubesse ou desse por ela, fosse médico, enfermeiro ou auxiliar, até porque a juíza deu ordens no seu despacho para que ninguém fosse informado.

Nestes dois anos, ocorreu até que a auxiliar Beatriz esteve de baixa devido a um acidente laboral em que magoou um braço e um pulso. Voltou depois ao serviço. É agora a principal suspeita de um crime.

Dúvidas e espanto

Apesar da detenção, ao que se sabe sustentada pelas imagens de videovigilância, não falta que se interrogue sobre a responsabilidade da auxiliar hospitalar Beatriz.

Como é auxiliar, não tem acesso a medicação, nem a nada relacionado, como por exemplo seringas. O seu trabalho baseia-se em ajudar os doentes, dar-lhes as refeições, lavá-los, entre outras funções", referiu um funcionário do hospital, citado pelo El País, intrigado com o facto da causa da morte poder ter passado por uma injeção de ar nas veias.

Outros colegas, contudo, acreditam que tanto a polícia como a administração hospitalar já suspeitavam de Beatriz, apesar da auxiliar nunca ter mostrado nenuma prática estranha.

Era uma pessoa normalíssima, que estava integrada no grupo e nunca tinha dado problemas", refere um outro colega.

A estranheza pela presumível autoria do crime alastrou também aos vizinhos da auxiliar, no bairro de Alcalá de Henares onde vivia com a filha de nove anos, após se ter separado há quatro anos do pai da menina, um homem de origem dominicana.

É uma pessoa muito educada e que se relaciona com toda a gente. É conhecida em todo o bairro pela sua disponibilidade", contou uma vizinha ao El País.

Incrédula, a vizinhança salienta que percebeu que algo se passava com Beatriz, quando, no domingo, a escada do prédio em que morava não foi lavada. Era algo que a auxiliar fazia semanalmente para ganhar algum dinheiro extra. O mesmo motivo, ao que se sabe, que a levava também a fazer muitas noites de vela no hospital Príncipe de Asturias.