A Polícia Nacional espanhol terminou, esta quinta-feira, a investigação e análise aos restos do comboio que descarrilou no passado dia 24 de julho nos arredores de Santiago de Compostela, causando 79 mortos e 150 feridos.

O processo de inspeção e análise, que durou duas semanas, permitiu recuperar objetos pessoais dos passageiros e levou à descoberta do telemóvel e tablet do maquinista, arguido no processo judicial do acidente.

Os dois dispositivos eletrónicos serão entregues ao juiz de instrução, Luis Alaéz, depois de serem submetidos a um processo de peritagem policial.

A conclusão da análise coincide com a intervenção hoje, no Congresso de Deputados, de Gonzalo Ferre, presidente do Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF) e de Julio Gómez-Pomar, presidente da Renfe (rede ferroviária espanhola).

Os dois responsáveis máximos do setor ferroviário espanhol estão a ser ouvidos desde o início da manhã e na véspera da intervenção, na Comissão de Fomento, da ministra da tutela, Ana Pastor.

No arranque da sua intervenção, Gonzalo Ferre lamentou o acidente, endereçou condolências às famílias das vítimas e agradeceu todo o apoio dado pelas várias instituições e cidadãos depois do acidente.

«Desejo que se conheça toda a verdade sobre o que aconteceu e que isso possa ajudar a tomar todas as medidas para que um acidente como este não possa acontecer no futuro», considerou, destacando os «elevados parâmetros» de segurança da rede ferroviária espanhola.

Desde o acidente que a ADIF iniciou um processo de revisão de todos os protocolos de segurança enquanto a RENFE está a rever os procedimentos de comunicação entre a locomotiva e os centros de gestão, pessoal de bordo e demais comunicações.

Além do processo judicial em curso, o acidente de Santiago vai ser alvo de uma investigação conduzida pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviárias (CIAF), órgão dependente do Ministério do Fomento.

O Ministério criou ainda uma comissão de especialistas para avaliar a situação da rede ferroviária espanhola e avançar com propostas de melhoria.

O acidente de 24 de julho envolveu um comboio Alvia com 218 passageiros e ocorreu a quatro quilómetros da estação de Santiago de Compostela.

A principal hipótese para a origem do acidente aponta para excesso de velocidade.