O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, enviou esta quinta-feira uma mensagem de condolências ao homólogo espanhol e ao presidente do governo regional da Galiza, na sequência do acidente ferroviário de quarta-feira à noite, em Santiago de Compostela.

«Neste momento de partilhada tristeza quero reiterar a profunda solidariedade de todos os portugueses com os familiares das vítimas e todos aqueles que foram afetados por este trágico acontecimento», de acordo com a mensagem de Pedro Passos Coelho enviada a Mariano Rajoy e a Alberto Núñez Feijóo que a Lusa cita.

Pedro Passos Coelho ofereceu ainda a ajuda do Governo português para «tudo quanto se afigure necessário».

O acidente ocorreu na quarta-feira às 20:45 (19:45 em Lisboa) quando o comboio de alta velocidade, que ligava Madrid e Ferrol com quase 250 passageiros a bordo, descarrilou a três quilómetros de Santiago de Compostela.

Pelo menos 80 pessoas morreram e a conselheira da saúde local, Rocío Mosquera, afirmou que durante a noite os serviços de emergência transferiram 178 pessoas para diferentes hospitais.

Noventa e cinco feridos continuam internados, dos quais 32 adultos e quatro crianças estão em estado crítico, acrescentou a mesma fonte em conferência de imprensa.

No local, já hoje visitado pelo chefe do Governo espanhol Mariano Rajoy, prosseguem as operações de remoção dos destroços, com as carruagens encavalitadas umas nas outras, muitas destruídas, e uma delas atirada para uma estrada paralela à linha do comboio.

A ferroviária estatal Renfe disse ser demasiado cedo para determinar as causas do acidente, mas os 'media' admitiram que o excesso de velocidade possa ter contribuído para o desastre.

O próprio maquinista, já constituído arguido, admitiu que circulava a 190 quilómetros por hora numa zona limitada a 80.

A chave para esclarecer as causas do acidente estará na «caixa negra», já entregue ao juiz encarregado do caso.

Mariano Rajoy, natural de Santiago de Compostela, anunciou que serão realizadas duas investigações, uma judicial e outra da responsabilidade da Comissão de Investigação aos Acidentes Ferroviários, tutelada pelo Ministério dos Transportes.