Pablo Iglesias foi eleito secretário-geral do «Podemos» por uma ampla maioria de votantes – 95.311 votos – da Assembleia Cidadã do partido espanhol, que deu também apoio maioritário aos membros da equipa para formar nova direção daquela força política.

Na votação online, que decorreu entre segunda-feira e a meia-noite de sexta-feira, participaram 107.488 dos cerca de 250 mil inscritos na assembleia, segundo os dados hoje divulgados.

Pablo Iglesias conquistou 88% dos apoios do total de votantes, a larga distância dos outros 60 candidatos que se candidataram à secretaria-geral, já que aquele que mais se aproximou obteve 955 votos.


Eurodeputada Marisa Matias diz que crescimento do «Podemos» faz regressar esperança à Europa


A eurodeputada do BE, Marisa Matias, afirmou em Madrid que o crescimento do Podemos faz «regressar a esperança» aos povos do sul da Europa que lutam contra a austeridade e o domínio dos «poderes sem rosto».

«Sinto que o que o Podemos está a fazer é emocionante e inspirador para todos e todas os que creem que a vida das pessoas não tem de ser sinónimo de sofrimento», afirmou a bloquista, perante o congresso fundador do partido espanhol Podemos, que nas europeias elegeu cinco deputados para o Parlamento Europeu e que as sondagens já colocaram à frente do Partido Popular e do PSOE.

Marisa Matias, que discursou em representação da família política do Grupo da Esquerda Unitária/Esquerda Nórdica Verde e que esteve no congresso acompanhada pela coordenadora bloquista, Catarina Martins, declarou que o trabalho do Podemos, que nasceu principalmente da confluência de movimentos sociais, motiva «os povos do sul» da Europa que combatem a austeridade.

«Sou de Portugal, como vocês sou de um país em que os poderes sem rosto e as suas marionetas, sejam de Bruxelas ou dos governos dos nossos países, decidiram castigar o povo. Para eles somos pessoas que vivemos acima das nossas possibilidades, que não tem direito à saúde, à educação ou a habitação. Se nos ameaçam a vida, tiremos-lhes o poder», disse.

No Teatro Nuevo Apolo, em Madrid, a dirigente do BE saudou «o povo grego» e as «forças progressistas da Alemanha que lutam "no olho do furacão"» e teceu rasgados elogios ao líder do Podemos, Pablo Iglesias, citando o dirigente espanhol: «Aqui repito, mantenham alta a bandeira da dignidade, precisamos de vocês para manter altas as bandeiras da esperança, da mudança, da democracia e da justiça social».

«O trabalho dos eurodeputados e dos militantes do Podemos é exemplar, defesa dos direitos humanos, na luta contra a corrupção, na defesa do bem público, na luta contra o TTIP (acordo de comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos)», afirmou.

Matias sublinhou que, no Parlamento Europeu, os partidos contra a austeridade o que «fazem todos os dias é trabalhar para resgatar a soberania dos povos e a democracia». «Queremos retirar a democracia das mãos dos banqueiros e dos corruptos e colocá-la na mão dos cidadãos, defendendo os serviços públicos e o que é de todos, recusamos a austeridade como desígnio», declarou.

A eurodeputada do BE defendeu que no sul da Europa «sente-se finalmente que algo está a mudar, que a esperança está a regressar e que se pode caminhar com orgulho» e referiu-se à luta contra a ditadura em Portugal no século XX, citando Zeca Afonso e Sérgio Godinho.

«Sinto orgulho em ser do país da revolução dos cravos, do país onde os militares e o povo se puseram de pé e acabaram com uma ditadura de meio século. Sinto orgulho por ser de um país que tem uma canção chamada Grândola, Vila Morena, que fala de uma terra da fraternidade onde o povo é quem mais ordena. Nós, os do sul, sabemos o que é a luta dos povos e sabemos que é essa luta que marca o melhor da nossa História (?) Hoje é o primeiro dia do resto das vossas vidas, com muitas lutas, com jogo sujo, com ameaças, isso está garantido. Mas vocês já nos mostraram que não têm medo», disse.