O arcebispo de Toledo, Braulio Rodríguez, está a indignar Espanha por ter afirmado durante uma missa que as mulheres que são agredidas pelos maridos ou morrem por violência doméstica são, em parte, culpadas. Para Braulio Rodríguez, a maior parte dos casos de violência doméstica são "reações machistas" quando a mulher pede a separação ou quando é rejeitada pelo marido por desobedecer às exigências dele.

“A maior parte das mulheres morre porque os seus maridos, ex-companheiros ou que viviam com elas, não as aceitam, rejeitam-nas porque não acatam as suas exigências. Muitas vezes, a reação machista surge porque a mulher pediu a separação“, lê-se na transcrição do sermão registado pelo boletim da diocese e lido na missa celebrada a 27 de dezembro, na Catedral de Toledo.


As declarações, citadas originalmente pela publicação “Padre Nuestro”, da arquidiocese de Toledo, e pelo jornal regional “Periódico Castillha-la-Mancha”, chegaram esta semana a jornais nacionais como o “El País”.

Na opinião do clérigo espanhol, a ausência de um contrato religioso ou civil entre os pares está na origem da violência dos homens sobre as mulheres.

"Como se pode pensar numa relação íntima entre um homem e uma mulher sem a existência das mais elementares disposições para viverem juntos?”, perguntou o arcebispo aos fiéis.

"O vínculo matrimonial é sério, e para todos, não só para os crentes", disse Rodríguez, que criticou o endurecimento crescente das leis que penalizam a violência contra as mulheres.

"Por muito boas que sejam as leis que existam ou saiam do Parlamento, o ser humano é interior, e pouco se pode fazer se não se mudar por dentro", afirmou.

“A única coisa que a nossa sociedade faz e, nela, as nossas autoridades, é manifestarem e declararem o endurecimento das leis e prevenção contra estes assassinos,” disse o arcebispo.


Na homilia, Braulio Rodríguez criticou ainda os líderes políticos espanhóis que “lutaram com afinco para implantar o chamado 'divórcio express'” e “não estão preocupados com os números dos divórcios”.

De acordo com o “El País”, só em 2015, morreram em Espanha 56 mulheres vítimas de violência machista.

Em Portugal, 29 mulheres morreram em 2015 às mãos dos parceiros. Entre 2004 e 2015, contam-se 428 homicídios deste género. Em mais de metade dos casos, o marido suicidou-se após matar a mulher.