O Ministério Público espanhol pediu, esta quinta-feira, ao Supremo Tribunal de Justiça que emita um mandado internacional de captura em nome do presidente destituído do governo catalão Carles Puigdemont e dos outros quatro ex-conselheiros do executivo regional que estão em Bruxelas, depois de não terem comparecido em tribunal esta quinta-feira. 

O jornal espanhol El País dá conta de que o pedido de captura se estende a Antoni Comín, Meritxell Serret, Lluís Puig e Clara Ponsati, que, tal como Puigdemon, faltaram à Audiência Nacional, em Madrid, esta quinta-feira de manhã.

De acordo com o Procurador Miguel Cuervo, Puigdemont “manifestou publicamente a sua intenção de não comparecer e solicitou, como também o fizeram Antonio Comín e Meritxell Serret Aleu, efetuar declaração por videoconferência, sem dar qualquer indicação sobre o seu paradeiro. Atendendo ao exposto, pede-se ao tribunal que ordene a sua busca e captura, e a detenção de âmbito nacional e internacional”.

Os advogados de Puigdemont, na Bélgica, já fizeram saber que o ex-governante da Catalunha está disposto a colaborar com a justiça, mas quer ser ouvido por videoconferência. De acordo com os advogados, Carles Puigdemont viajou para Bruxelas, juntamente com quatro elementos do seu gabinete, por sentir que o clima em Espanha era desfavorável. 

Entretanto, a juíza da Audiência Nacional, Carmen Lamelas, deu provimento ao pedido da Procuradoria-Geral e decreta como medida cautelar a prisão preventiva sem direito a fiança dos oito ex-conselheiros ouvidos esta quinta-feira de manhã, em Madrid. Além do ex-vice-presidente Oriol Junqueras, ficam detidos preventivamente Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência e porta-voz da Generalitat), Raül Romeva (ex-ministro regional dos Assuntos Internacionais), Josep Rull (ex-ministro regional do Território), Carles Mundó (ex-ministro regional da Justiça), Meritxell Borràs (ex-ministra regional da Cultura), Joaquim Forn (ex-ministro regional do Interior) e Dolors Bassa (ex-ministra regional do Trabalho), refere o El País.

Ainda de acordo com o El País, a medida cautelar é mais leve para o ex-conselheiro das Empresas, Santi Vila, que saiu do governo regional um dia antes de ter sido declarada a independência no Parlamento da Catalunha, a 27 de outubro. A juíza da Audiência Nacional aplicou-lhe uma pena de prisão preventiva que pode ser anulada caso pague uma fiança de 50 mil euros.

A juíza alega que havia risco de continuarem a cometer o crime se ficassem em liberdade, assim como de destruição de provas. Carmen Lamelas também fala do perigo de fuga dado o alto poder de compra dos arguidos e o facto de o ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, e outros quatro ex-membros do governo catalão, terem deixado o país. 

A ação dos arguidos foi meditada e perfeitamente preparada e organizada, reiterando durante mais de dois anos no incumprimento sistemático das resoluções do Tribunal Constitucional em prol da independência", escreveu no auto a juíza.

Os oito ex-conselheiros ficarão detidos na prisão de Soto del Real, nos arredores de Madrid, onde já estão detidos os líderes das organizações independentistas Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sànchez, e Òmnium Cultural, Jordi Cuixart. 

Jaume Alonso-Cuevillas, advogado de Carles Puigdemont em Espanha, reagiu à decisão de prisão preventiva para os oito ex-governantes catalães. “Prisão para todos. Sensação de grande injustiça. Dia muito triste para a democracia”, escreveu no Twitter.

Também o líder do Podemos já condenou a ordem de prisão decretada aos oito conselheiros do governo destituído da Catalunha. No Twitter, Pablo Iglesias, que se tem manifestado contra o processo de declaração unilateral de independência, disse sentir “vergonha” de um regime que ordena o encarceramento dos opositores: "Envergonha-me que no meu país se prendam opositores. Não queremos a independência da Catalunha para hoje dizemos: liberdade para os presos políticos".

A presidente do Parlamento da Catalunha fala em processo "injusto" e "indecente". "Enviam para a prisão o governo democraticamente eleito. Injusto. Indecente. Estamos convosco e com as vossas famílias", escreveu no Twitter Carme Forcadell,

O Ministério Público espanhol pediu, esta quinta-feira de manhã, pena de prisão para oito membros destituídos da Generalitat, o Governo regional da Catalunha, com execeção do ministro regional Santi Vila, que se tinha demitido do cargo antes de o Parlamento regional declarar unilateralmente a independência

Dos 14 membros da Generalitat destituídos, apenas nove se apresentaram esta manhã na Audiência Nacional. O presidente, Carles Puigdemont, encontra-se entre os cinco que faltaram.

O Ministério Público acusa os 14 antigos membros do executivo catalão, entre os quais Puigdemont, e seis deputados regionais, incluindo a presidente do Parlamento, Carme Forcadell, de delitos de rebelião, sedição e desvio de fundos. Arriscam-se a penas que vão até 30 anos de prisão.