O médico que assistiu pela primeira vez a auxiliar de enfermagem infetada com o ébola, em Espanha, garante que o fato de proteção que usou não era adequado. Juan Manuel Parra denunciou a situação por carta, confessando que mudou de fato pelo menos 13 vezes, durante as 16 horas em que assistiu a colega, chamada Teresa Ramos.

A carta que escreveu aos seus superiores, e que foi tornada pública pela imprensa espanhola, descreve várias situações de negligência. O médico descreve o processo como «angustiante» e coloca em causa algumas medidas de proteção impostas pelo protocolo de segurança.

Entretanto, ele próprio deu entrada no Hospital Carlos III, em Madrid, e está de vigilância, tal como outro clínico que também assistiu a enfermeira infetada.

Nas últimas horas, também ficou em observação um enfermeiro da equipa que assistiu dois missionários repatriados da Libéria e Serra Leoa. São casos que aguardam os resultados das primeiras análises.

A auxiliar de enfermagem não queria acreditar que tinha a doença e soube pela Internet que tinha sido infetada. Agora está a melhorar, mas lamenta que nenhum governante tenha falado consigo.

De momento, são seis as pessoas que estão estão isoladas no Hospital Carlos III para observação e vigilância epidemiológica, de acordo com o protocolo de prevenção do Ébola, depois de três outras pessoas terem entrado na unidade nas últimas horas.

E Portugal?

Este alerta de ébola na vizinha Espanha despertou algum receio em Portugal. Na quarta-feira, o ministro da Saúde deixou a garantia de que Portugal terá acesso ao soro experimental que foi administrado aos doentes que sobreviveram ao vírus do Ébola, caso seja necessário.

Soube-se também que o INEM investiu cerca de 200 mil euros na aquisição de material de proteção contra o vírus. O país tem, de momento, cinco «biobags», uma espécie de casulo para transportar o doente em segurança.

Outros casos

Entretanto, a Alemanha já tem também três doentes com ébola a serem tratados no país. O último caso é de um sudanês, funcionário da ONU, que chegou esta quinta-feira a Leipzig, na Alemanha, vindo da Libéria. « Ele foi tratado na clínica de Leipzig, que tem um centro de atendimento» adaptado, disse à AFP o porta-voz do Ministério da Saúde do estado da Saxónia, Ralph Schreiber. A Alemanha recebeu o primeiro paciente no passado dia 4 de outubro, um especialista senegalês da Organização Mundial de Saúde, que acabou por sair do Hospital de Hamburgo, recorda a Lusa.

Na Austrália, há também uma enfermeira a efetuar testes para determinar se foi contagiada pelo vírus, depois de ter apresentado sintomas de febre no regresso de um mês de trabalho para a Cruz Vermelha na Serra Leoa. Está em isolamento e os exames foram enviados Brisbane de avião, para análise.

Do Reino Unido chega a notícia de um aumento dos esforços no combate ao ébola em África. David Cameron decidiu enviar 750 militares para os países afetados, para ajudar a estabelecer centros de tratamento do ébola e academias de formação.