Mariano Rajoy garantiu nesta segunda-feira que vai cumprir o seu mandato como presidente do governo espanhol.

A oposição - com o PSOE de Alfonso Rubalcaba à cabeça - está a exigir a demissão do primeiro-ministro espanhol na sequência do «caso Bárcenas» e após a revelação neste domingo das sms que descrevem a relação entre Rajoy e o ex-tesoureiro do PP.

Também já nesta segunda-feira, Luis Bárcenas assumiu em tribunal ter entregado dinheiro a Mariano Rajoy entre 2009 e 2010, assim como reconheceu serem da sua autoria os documentos que indicam uma contabilidade paralela no PP com entradas e saídas de dinheiros. O primeiro-ministro espanhol não deu resposta às últimas acusações, antes garantiu que não se demite ou se sujeita ao que chamou de «chantagens».

«A única coisa que os SMS publicados ontem fazem é ratificar o que lhes disse antes [em fevereiro]: que o Estado de Direito não se submete a chantagem. (...) Vou defender a estabilidade política. E vou cumprir o mandato que os espanhóis me deram no devido momento. E se há outras pessoas que querem brincar com outra coisa por esta ou aquela razão, isso, é da sua exclusiva responsabilidade. O que garanto aos espanhóis é que há um governo estável e que vai cumprir a sua obrigação», assumiu Rajoy numa conferência de imprensa após o encontro com o homólogo polaco, Donald Tusk.

O formato desta conferência de imprensa está também, então, a dar mais polémica sobre o caso. Nestas respostas à comunicação social sobre assuntos internacionais, após o tema em análise, os jornalistas espanhóis têm direito a mais duas perguntas, que os próprios sorteiam entre si quem as fará.

«Pela primeira vez isso não aconteceu», como refere o «El País», e Rajoy passou a palavra diretamente para o repórter do «Abc» presente na Moncloa. A primeira pergunta devia ter sido feita pelo «El Mundo» e a segunda pela agência EFE.

O «El Mundo também retrata o caso da escolha de Rajoy pela pergunta «pré-cozinhada» do «Abc» e conta a resposta que tiveram os jornalistas no local quando se dirigiram ao seu colega para terem uma explicação do sucedido. O jornalista do «Abc» contou que «recebeu uma chamada do seu diretor ditando-lhe o texto que devia formular a Rajoy e que simplesmente se limitou àquele».