A morte de Maria del Carmen Moya por overdose de morfina, após uma ressonância magnética, está a ser investigada pela Justiça Espanhola para averiguar se houve ou não um homicídio negligente.

Natural de Chamberrí, Madrid, e com 79 anos, Mari Carmen - como era conhecida - foi fazer uma ressonância magnética a um joelho no final de outubro de 2017, e acabou por morrer.

Seria um exame para perceber a dimensão da lesão que tinha e para o seu médico decidir se avançava para a operação. Tudo parecia  simples, mas acabou por se tornar num drama, porque, alegadamente, médicos e técnicos foram negligentes no tratamento da senhora.

Mari Carmen tinha, desde 2013, uma bomba de infusão de morfina intratecal, que consiste num cateter implantado na região da coluna que liberta pequenas doses de morfina, que ajudam a aliviar as dores de costas de que sofria. O problema é que este tipo de bomba não reage bem à exposição aos ímanes magnéticos de uma ressonância e liberta todo o depósito de uma vez. Esta libertação de todo o depósito provocou a overdose de Mari Carmen e a morte ainda no local.

Em 2016, a Agência Espanhola do Medicamento, entre outras, já tinha alertado para este tipo de problema, logo após uma morte do género, precisamente com um aparelho da mesma marca e modelo, na Alemanha, mas apesar dos avisos não terá existido o cuidado de cumprir todos os procedimentos com Mari Carmen.

Neste caso, nem o médico que marcou a ressonância, nem médicos, nem técnicos da clínica onde se realizou o exame avisaram Mari Carmen para o problema. Para agravar a situação, no dia do exame - um sábado - não haveria um médico na clínica, tal como indica o procedimento e o técnico não a terá examinado corretamente a ponto de perceber que Mari Carmen tinha o aparelho.

A paciente acabou por morrer, nos braços do marido Ramón San José, que estava na sala de espera e entrou para tentar a reanimação, com respiração boca a boca, mas sem efeito.

A Polícia espanhola está a investigar o caso e descobriu esta cadeia de erros e confirmou que, em momento algum, a paciente soube dos riscos que corria.

Um dos três filhos, José Maria, falou ao El Mundo e apontou o dedo quer a médicos quer a técnicos.

Nunca lhe deram nem só um papel que a alertaria do que podia ocorrer, nem lhe disseram que tivesse cuidado ao fazer a ressonância ou que avisasse que levava aquele aparelho a qualquer outro médico que a visse”, contou.

José Maria disse ainda que o médico que recomendou a ressonância a conhecia “há 20 anos”.

Para agravar a situação, Mari Carmen nem sequer assinou o consentimento da realização de exame, que é obrigatório. Foi o marido a fazê-lo e, por isso, é inválido.

O advogado da família de Mari Carmen, Gustavo López-Muñoz Larraz revelou ainda, ao El Mundo, mais um erro em todo o processo.

A própria empresa que fabricava o aparelho, que é americana, criou uma nova versão em 2015 para evitar este problema, e comunicou-a aos serviços médicos, que deveriam avisar os seus pacientes para dar a opção de mudar o aparelho por um novo, mas à Mari Carmen ninguém disse nada.”

Mari Carmen ia a cada dois meses recarregar o aparelho e nem assim recebeu o aviso dos profissionais.

Até ao momento estão a ser investigados dois médicos e um técnico por homicídio negligente, mas mais profissionais de saúde podem ser envolvidos na investigação.