A auxiliar de enfermagem espanhola contagiada com o vírus ébola soube que tinha a doença pela Internet, ao consultar o seu telefone e ver as notícias online. Ninguém do hospital Carlos III, em Madrid, a informou diretamente.

«A mim ninguém me disse nada, eu soube pelo telemóvel. Desconfiei, porque os enfermeiros e os médicos do Hospital de Alcorcón deixaram de aparecer tanto e eu ouvia-os atrás da porta. A última vez entraram com fatos brancos, perguntei ao médico pelo resultado e ele não me quis dizer. Peguei no telemóvel e vi no El País que os resultados eram positivos. Mas, a mim, ninguém me disse: "Teresa, tens ébola"», contou, em entrevista à «Cuatro».

Teresa Romero garante que perguntou mais vezes, mas que nunca ninguém lhe respondeu «claramente». Depois, desistiu. «Não havia necessidade. Se te metem numa cápsula…»

Segundo a auxiliar, os profissionais do Hospital de Alcorcón que a atenderam no domingo estavam «vestidos normalmente». Só depois de «bastante tempo» foi transportada e colocada em isolamento no Hospital Carlos III.

Questionada sobre o tempo que demorou entre os primeiros sintomas e a chamada de emergência que a levou para o hospital [numa ambulância «normal», ainda sem isolamento], Teresa admite que ainda foi ao centro de saúde, mas que não informou a médica que a atendeu que tinha estado em contacto com o vírus.

«Nunca pensei que fosse ébola, até ao último momento. Ninguém pensa isso», desabafou.

Sobre a formação que recebeu sobre como tratar os pacientes com ébola, Teresa Romero garante que a ensinaram a meter e a tirar o fato, mas que essa demonstração demorou «pouco tempo».

A auxiliar de enfermagem garante que se sente «melhor», mas não quis falar muito mais, porque sente «a boca a ficar seca». Agradeceu o tratamento que está a receber dos colegas, mas lamentou que ninguém do governo espanhol tenha entrado em contacto consigo.