Notícia atualizada às 13.43

Teresa Romero, a auxiliar de enfermagem que tinha sido contagiada com Ébola ao tratar um missionário no hospital Carlos III de Madrid, teve alta na manhã desta quarta-feira.
 
A equipa médica que tratou Teresa Romero, o primeiro caso de ébola fora de África, reconheceu esta quarta-feira que temeu pela sua vida nos momentos «mais críticos», mas acrescentou que o trabalho «foi máximo» para conseguir que a paciente recuperasse.
 
As afirmações foram feitas numa conferência de imprensa pelos médicos da Unidade de Medicina Tropical que trataram a auxiliar: Fernando de la Calle, Marta Mora, Mar Lago, Marta Arsuaga e a enfermeira Esther Bellón; acompanhados pelo chefe da Unidade de Doenças Infeciosas do Hospital de la Paz-Carlos III, José Ramón Arribas; o diretor do centro, Rafael Pérez-Santamaría; a subdiretora médica, Yolanda Fuentes.
 
Tanto Marta Mora como Arribas realçaram que a taxa de mortalidade da doença era de 60% e por isso, nos momentos mais críticos, temeram pela vida de Teresa.
 
«Não podemos dizer o que curou Teresa», afirmou Arsuaga ao jornal espanhol ABC, explicando que é complicado determinar que tratamento é que funcionou e apontou que o seu sistema imunológico teve «grande parte» do papel na sua recuperação.
 
O gerente do Hospital de La Paz-Carlos III afirmou que a alta de Romero é uma «grande notícia» depois de um mês «complicado» para o hospital e quis manifestar o seu reconhecimento e agradecimento à equipa «pelo seu extraordinário trabalho» e a sua intervenção de êxito para que a auxiliar superasse a doença.
 
Ramón Arribas destacou que a auxiliar de enfermagem, de 44 anos, recebeu a alta com a confiança de que já não há «nenhum risco de contágio» e  explicou que também não se pode determinar se o tratamento com soro e a administração do fármaco Favipiravir são eficazes contra a doença.
 
«Pode levar uma vida completamente normal», assinalou Arribas antes de recordar que a saída do hospital não implica que Romero esteja recuperada de todo. «Há que dar tempo para uma recuperação integral de um evento muito dramático».
 
As palavras de Teresa Romero
Romero foi recebida com aplausos dos colegas e dos jornalistas presentes, tendo de aguentar as lágrimas antes de começar a falar. «Estou aqui para vos agradecer, ainda estou muito débil, por isso permitam-me que leia, quero recuperar a minha tranquilidade e ir para perto da minha família, a quem tenho tanto para agradecer», Romero começou assim a carta que tinha preparada.
 
A auxiliar de enfermagem quis agradecer aos médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, pessoal de limpeza e de segurança, que «demonstraram que temos o melhor sistema de saúde do mundo, pessoal altruísta que, apesar da ação política, são capazes de operar milagres».
 
«Não sei o que falhou, nem sequer sei se falhou algo», disse Teresa Romero, após ter recebido alta médica, acrescentando que não guarda rancor.
 
Romero afirmou que espera que o seu contágio sirva para «algo», para «investigar a doença». «Se o meu sangue serve para curar outras pessoas, estou aqui», acrescentou a auxiliar de enfermagem.
 
A conferência de imprensa, que durou mais ou menos meia hora, conclui com um grande aplauso à equipa médica que trabalhou na cura de Teresa Romero.