A ministra da Saúde espanhola confirmou, esta segunda-feira, o primeiro caso de contágio pelo vírus ébola na Europa. Ana Mato explicou que a enfermeira que contraiu o vírus entrou de férias logo após a morte do missionário Manuel Garcia Viejo, no passado dia 25 de setembro num hospital madrileno, e tem estado ausente do serviço desde então.

Neste momento, segundo a responsável, existem mais 30 funcionários sob observação. Todos os que estiveram em contato com os dois missionários infetados com o vírus na África Central, que foram repatriados e acabaram por falecer já no seu país.

Segundo Ana Mato, a auxiliar começou a sentir doente dia 30 de setembro e, neste momento, encontra-se estável.

As autoridades sanitárias não têm conhecimento de mais nenhum caso, mas também estão a monitorizar todos os que estiveram em contato com a profissional de saúde. 

A ministra de Saúde espanhola disse ainda que as autoridades estão a comprovar se os protocolos foram adequadamente seguidos no Hospital Carlos III, em Madrid.

«Estamos a averiguar a fonte de contágio, verificando se se seguiram estritamente todos os protocolos estabelecidos. Vamos colocar todos os meios necessários à disposição dos médicos e enfermeiros para responder a estar situação», disse Ana Mato.

«Quero deixar uma mensagem de tranquilidade a todos os cidadãos. Contamos com pessoal magnificamente formado para tratar estas situações e com capacidade técnica para lidar com o caso», afirmou.

Hoje as autoridades sanitárias espanholas confirmaram que o primeiro caso de contágio na Europa ocorreu em Madrid, numa auxiliar de enfermaria que tratou as duas vítimas mortais espanholas da doença.

A última das vítimas, o missionário morreu Manuel Garcia Viejo no Hospital Carlos III de Madrid no passado dia 25 de setembro e hoje uma das auxiliares que trabalhou no seu caso deslocou-se ao Hospital de Alarcon com febre e outros sintomas.

Duas análises realizadas durante o dia confirmaram o diagnóstico da doença, que já causou mais de 3.400 mortos desde que reapareceu em março na África Ocidental.

Ana Mato explicou que quando o caso foi detetado se iniciou o protocolo de atuação, em coordenação pelo Governo central e pela Comunidade Autónoma de Madrid.

«Estamos a trabalhar de forma coordenada para dar a melhor atenção à paciente e para garantir a segurança de todos os cidadãos», disse.

«Tenham a certeza de que se estão a tomar todas e cada uma das medidas para garantir a melhor atenção ao paciente e para garantir a segurança do pessoal sanitário e de toda a população», afirmou.

Mato disse que Espanha mantém sobre o Ébola «absoluta coordenação a nível nacional e internacional», colaborando ativamente e seguindo todas as recomendações da OMS, especialmente desde que a 08 de agosto se declarou o vírus de Ébola como «emergência de saúde pública de importância internacional».

Oposição quer ministra no parlamento

Entretanto, a oposição socialista já fez saber que vai pedir a comparência urgente da ministra da Saúde, no parlamento, para explicar as circunstâncias do primeiro caso de contágio a uma auxiliar de enfermaria.

«Já tínhamos pedido isso em agosto e não veio. Erro», lamentou José Mantinez Olmos, numa frase publicado no seu canal da rede social Twitter.

Mais critica foi a porta-voz da Esquerda Plural, Caridad García Álvarez, que exigiu a demissão de Ana Mato.

«Os trabalhadores denunciam, a administração ignora as denuncias, resultado, trabalhadora contagiada com Ébola. Demissão de Mato já», escreveu também no Twitter.