O tribunal de Pontevedra, Galiza, decretou esta terça-feira prisão preventiva, sem fiança, para o dono de uma fábrica de pirotécnica, entretanto encerrada, e de três armazéns clandestinos de material explosivo, descobertos em Tui, na fronteira com Valença.

O homem, presente pela segunda vez aquele tribunal, está indiciado pela prática dos crimes de homicídio por negligência, danos e lesões por negligência, risco de catástrofe e posse ilegal de explosivos.

Francisco González Lameiro foi detido, na segunda-feira, pela segunda vez, após a descoberta, no último fim de semana, de dois armazéns clandestinos com material explosivo, semelhantes ao que explodiu, na semana passada, na localidade de A Torre, Paramos, e que provocou dois mortos, 26 feridos, tendo ainda destruído cerca de 20 casas e provocado danos em mais de uma centena.

Agravamento da coação

Segundo fonte do Tribunal Superior de Justiça da Galiza, a juíza responsável pelo caso entendeu agravar a medida de coação, anteriormente decidida, por "entender que a descoberta dos dois depósitos de material explosivo, cuja existência o arguido não tinha mencionado da primeira vez que foi presente a tribunal, mudou as circunstâncias do crime".

A aplicação daquela medida de coação foi ainda justificada com o risco de alteração de prova, a continuidade da atividade ilícita e risco de fuga.

Anteriormente aquele tribunal havia aplicado a medida de coação de apresentações quinzenais às autoridades.

No domingo, a Guarda Civil de Pontevedra encontrou o terceiro armazém "ilegal", com mais de uma tonelada de produtos para fabricar pólvora.

Na véspera, as forças policiais encontraram um outro depósito, com 374 quilos de pólvora e 172 quilos de outros produtos para fabrico de explosivos.

Fundo de emergência

A Câmara de Tui já criou um fundo de emergência, de um milhão de euros, para apoiar as famílias afetadas pela explosão.

Numa primeira fase, aquele fundo "cobrirá as necessidades básicas das 692 pessoas afetadas", sendo que "quatro famílias ficaram sem habitação e vão ser realojadas", tendo ainda sido reportadas e 325 queixas por danos causados pelo rebentamento.

Aquela autarquia adiantou que poderá ainda vir a requerer ao Governo espanhol que a área afetada seja declarada zona de catástrofe, decisão que tomará quando estiver concluída a análise do relatório elaborado pelos técnicos municipais.

O município galego, na fronteira com Valença, no distrito de Viana do Castelo, anunciou ainda a criação de um gabinete urbanístico, "exclusivamente, dirigido aos afetados, que prestará apoio técnico e jurídico".

Segundo o comunicado, aquele gabinete, composto por cerca de 30 elementos, entre eles representantes da autarquia, da Junta da Galiza e das forças de segurança, "está a acompanhar a situação e decidir os passos seguintes a tomar no apoio às famílias afetadas.

A estrutura, presidida pelo autarca de Tui, Carlos Vázquez Padín, "irá reunir semanalmente, e poderá vir a integrar elementos do Governo central".

O município de Tui informou ainda ter sido criada uma conta bancária para reunir donativos, um endereço eletrónico e uma linha telefónica para apoiar os afetados, nomeadamente, com informações sobre casas disponíveis para alugar.