Foi condenado a 15 anos de prisão em Espanha por ter agredido e violado a ex-mulher, mas, ainda assim, conseguiu tornar-se funcionário da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Argentina. Carlos Alberto García Muñoz está no centro de uma nova polémica que envolve o executivo de Cristina Kirchner.

Nos anos 70, Muñoz foi militante da União dos Estudantes Secundários, grupo que enfrentou o regime ditatorial de Juan Perón. Acabou por ser preso pelas autoridades do regime, mas, juntamente com outros três prisioneiros, conseguiu escapar do centro de detenções clandestino «Manison Seré», em 1978.

Assim, tornou-se num dos milhares de latino-americanos a viverem em exílio. Em Barcelona, acabou por casar e ter filhos. A história não teve, no entanto, um final feliz. 

Separado da mulher, María Jesús Anguren Sanjulian, Muñoz não terá lidado bem com o fim da relação e, em 1999, invadiu a casa onde esta vivia com os filhos.  O argentino agrediu a mulher, que recuperava de uma operação ao útero, e violou-a, deixando-a inconsciente. Segundo a advogada da vítima, María José Varela, tudo isto aconteceu sob o olhar dos filhos pequenos que estavam em casa, desesperados e a pedir ajuda.

Na sequência destas agressões, foi condenado pela Justiça espanhola a 15 anos de prisão, em 2001, tendo acabado por sair da cadeia 10 anos depois, em 2011.

Na liberdade Muñoz viu uma oportunidade de regressar à Argentina. Uma decisão que, segundo o próprio se deveu «ao momento político do país» e à «retoma de algumas ideias e conceitos» do seu tempo.

Cristina Kirschner recebeu-o de braços abertos como um herói que sofreu a barbárie da ditadura de Péron. A 10 de dezembro do ano passado, o argentino participou num ato público do governo onde foi apresentado como um sobrevivente do regime.

Tornou-se funcionário da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, onde tratava de avaliar pedidos de subsídios e pensões das vitimas da ditadura. O jornal «Infobae» assegura que muitos colegas sabiam dos seus problemas com a Justiça espanhola.

O passado foi agora descoberto e, segundo a imprensa argentina, Munõz demitiu-se esta segunda-feira e o governo de Kirchner já aceitou a sua demissão.