A ativista Ada Colau é a nova presidente da Câmara de Barcelona, depois de a sua lista, que integra alguns movimentos e partidos de esquerda, como o Podemos, ter  vencido as eleições municipais de domingo.

Esta “rebelde”, de 41 anos, sobrancelhas grossas e roupa larga, como é descrita pela imprensa espanhola, prepara-se para comandar os destinos de Barcelona com “transparência”. Mãe de um rapaz de três anos e casada com um economista, dizem que é uma espécie de vizinha do lado. Uma proximidade que a colocou no poder, vencendo a batalha contra Golias, como a própria afirmou.

O El País escreve nesta segunda-feira que o segredo de Ada Colau reside no facto de ser uma pessoa e não uma personagem, de ser real e não um produto de laboratório como alguns colegas de esquerda. Tal como foi sempre real a sua luta no terreno, nos últimos anos pela Plataforma de Afetados por la Hipoteca (PAH), que tenta travar o despejo de quem não consegue pagar a casa ao banco.

Dizem que é irreverente e, por vezes, desrespeitosa, mas que é respeitada. E não é por menos. A própria autarquia, que era liderada por Xavier Trías, que conseguiu um desonroso segundo lugar nestas eleições, reencaminhava para o PAH os pedidos de ajuda dos catalães que não conseguiam pagar as hipotecas ao banco, alegando que a plataforma “consegue resolver 90 por cento dos casos”.

Irreverência que também fica patente no facto de não ter terminado a licenciatura em Filosofia por duas cadeiras. Segundo a própria, o ativismo surgiu no início da década de 90, durante os protestos contra a guerra no Golfo, mas só faz “vida de ativista” desde 2001.

Fez Erasmus em Milão, teve uma breve carreira televisiva numa série cómica, Dos + una (que contava as histórias de três irmãs, duas delas gémeas). Ainda antes da criação do PAH, integrou o movimento okupa (ocupação de espaços abandonados) e participou em diversas mobilizações antiguerra até começar a dedicar-se em exclusivo às questões sociais, como o direito à habitação.
 
Atualmente é responsável pela habitação no Observatório de Direitos Económicos, Sociais e Culturais (DESC) de Barcelona.

Para a Câmara leva uma equipa sem qualquer experiência municipal (que dizem ter sido um requisito da candidata) e a crença de que as crescentes desigualdades sociais são culpa dos presidentes anteriores.

Para já, quer “mudar radicalmente a forma de governar” e varrer a pente fino as contas da cidade com auditorias. Pretende também consultar a população quanto à possível adesão à Associação de Municípios da Catalunha (AMI), favorável à independência da região.
 
Com 11 deputados municipais eleitos, fica a dez da maioria absoluta e vai ter de negociar pós-eleições. Estará sensível ao ERC (Esquerra Republicana de Catalunya) e à CUP (Candidatura d'Unitat Popular), que conseguiram eleger, respetivamente, cinco e três deputados. Além dos independentes eleitos pela lista Barcelona en Comú, pela qual foi eleita.