Por: Redacção / CLC | 21- 5- 2011 10: 39
Milhares de pessoas levantaram, em Madrid, as mãos no ar, pedindo silêncio, e ouviram as doze badaladas que marcam o início
do período de reflexão em Espanha e a ilegalização do seu protesto.
De olhos postos na torre do relógio do edifício
do governo regional de Madrid, pessoas de todas as idades responderam depois com o grito «O Povo Unido Jamais Será Vencido».
Uma
mensagem clara de quem vai ignorar a proibição a estas concentrações imposta pela Junta Eleitoral Central, que se aplica no
sábado e no domingo, dia das eleições.
Sem espaço na Puerta del Sol, os manifestantes, muitos deles com fita-cola
na boca, representando o que dizem ser o silêncio que lhes querem impor, espalharam-se pelas ruas das imediações.
Não
é visível qualquer policiamento, além dos agentes que estão há já vários dias no local e das barreiras que protegem a sede
do governo regional.
Os manifestantes garantem que vão continuar na praça até domingo, sendo que já está a circular
uma petição, com dezenas de milhares de assinaturas, a defender a «acampada» indefinida na Puerta del Sol.
Uma manifestação
que passou ao lado do fim oficial da campanha eleitoral.
Em menos de uma semana, este movimento conseguiu, no entanto,
que todos os líderes políticos o referissem nos seus comícios de encerramento.
A Puerta del Sol regista hoje a maior
enchente desde que os protestos começaram no domingo, sendo de destacar equipas de voluntários que estão a ajudar a limpar
a praça, e a recomendar aos presentes que não bebam álcool.
Nenhum dos organizadores quer que as autoridades vejam
no possível argumento de beber na rua motivos para desmantelar esta cidade improvisada.
Em Portugal, cerca de 200
jovens iniciaram na sexta-feira à noite uma assembleia popular no Rossio, Lisboa, e «aprovaram por maioria» pernoitar na praça
e criar grupos de trabalho que apresentem propostas na próxima reunião, já hoje à noite.
Depois de se terem concentrado
junto à Embaixada de Espanha, na Rua do Salitre, cerca de duas centenas de jovens espanhóis e portugueses concentraram-se
sexta-feira à noite na Praça D. Pedro IV para dar início a uma Assembleia Popular onde cada um dos manifestantes podia «partilhar
as suas ideias».
Entre as ideias apresentadas estava o fim do capitalismo, da globalização e da pena de morte, mas
também o apoio aos manifestantes espanhóis «acampados» na praça da Puerta del Sol, em Madrid, há cinco dias, tal como a necessidade
de uma «nova política».
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