Milhares de pessoas levantaram, em Madrid, as mãos no ar, pedindo silêncio, e ouviram as doze badaladas que marcam o início do período de reflexão em Espanha e a ilegalização do seu protesto.

De olhos postos na torre do relógio do edifício do governo regional de Madrid, pessoas de todas as idades responderam depois com o grito «O Povo Unido Jamais Será Vencido».

Uma mensagem clara de quem vai ignorar a proibição a estas concentrações imposta pela Junta Eleitoral Central, que se aplica no sábado e no domingo, dia das eleições.

Sem espaço na Puerta del Sol, os manifestantes, muitos deles com fita-cola na boca, representando o que dizem ser o silêncio que lhes querem impor, espalharam-se pelas ruas das imediações.

Não é visível qualquer policiamento, além dos agentes que estão há já vários dias no local e das barreiras que protegem a sede do governo regional.

Os manifestantes garantem que vão continuar na praça até domingo, sendo que já está a circular uma petição, com dezenas de milhares de assinaturas, a defender a «acampada» indefinida na Puerta del Sol.

Uma manifestação que passou ao lado do fim oficial da campanha eleitoral.

Em menos de uma semana, este movimento conseguiu, no entanto, que todos os líderes políticos o referissem nos seus comícios de encerramento.

A Puerta del Sol regista hoje a maior enchente desde que os protestos começaram no domingo, sendo de destacar equipas de voluntários que estão a ajudar a limpar a praça, e a recomendar aos presentes que não bebam álcool.

Nenhum dos organizadores quer que as autoridades vejam no possível argumento de beber na rua motivos para desmantelar esta cidade improvisada.

Em Portugal, cerca de 200 jovens iniciaram na sexta-feira à noite uma assembleia popular no Rossio, Lisboa, e «aprovaram por maioria» pernoitar na praça e criar grupos de trabalho que apresentem propostas na próxima reunião, já hoje à noite.

Depois de se terem concentrado junto à Embaixada de Espanha, na Rua do Salitre, cerca de duas centenas de jovens espanhóis e portugueses concentraram-se sexta-feira à noite na Praça D. Pedro IV para dar início a uma Assembleia Popular onde cada um dos manifestantes podia «partilhar as suas ideias».

Entre as ideias apresentadas estava o fim do capitalismo, da globalização e da pena de morte, mas também o apoio aos manifestantes espanhóis «acampados» na praça da Puerta del Sol, em Madrid, há cinco dias, tal como a necessidade de uma «nova política».