O candidato à Presidência brasileira Jair Bolsonaro, atingido na quinta-feira por uma facada durante um ato de campanha em Minas Gerais, vai ser transferido esta sexta-feira para um hospital de São Paulo, anunciou o seu filho.

Flavio Bolsonaro escreveu na sua conta do Twitter: "O meu pai passou a noite bem, o seu quadro está estabilizado e será transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein agora".

Os médicos optaram pela transferência após fazerem uma nova série de exames ao candidato hoje de manhã, segundo o jornal Estadão. Bolsonaro vai viajar para a capital paulista de avião.

Consciente dos riscos

Num vídeo gravado ainda no anterior hospital onde o candidato foi operado, na Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Bolsonaro disse que estava consciente dos riscos que corria.

Nesta declaração divulgada nas redes sociais, durante a madrugada de hoje, Bolsonaro fala pela primeira vez desde o ataque, afirmando que nunca fez mal a ninguém.

Eu preparava-me para um momento como esse porque você corre riscos. Mas, de vez em quando, a gente duvida, né? Será que o ser humano é tão mau assim? Nunca fiz mal a ninguém”, afirmou Bolsonaro, no mesmo vídeo.

A agência France-Presse noticiou ainda que Flávio Bolsonaro mandou uma mensagem para os atacantes do seu pai: "Uma mensagem para esses bandidos: eles acabaram de eleger o novo presidente, e isso será feito na primeira volta".

Líder nas sondagens

Segundo uma sondagem divulgada na quinta-feira - a primeira após o Tribunal Superior Eleitoral ter rejeitado a candidatura de Lula da Silva (PT) -, Jair Bolsonaro lidera a corrida eleitoral de outubro, com 22% das intenções de voto.

Capitão do exército reformado e defensor da ditadura militar – regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 -, Bolsonaro iniciou a carreira política adotando posições extremadas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre os anos de 2015 e 2016, ao mesmo tempo que as lideranças políticas tradicionais do país têm sido envolvidas em escândalos de corrupção.

Chamado de “mito” e “herói” pelos apoiantes e de “perigo à democracia” por críticos e adversários, Jair Bolsonaro, de 62 anos, está na política brasileira há 28 anos e foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, mas sem nunca ter ocupado um cargo importante no Parlamento.

Políticas polémicas

Na campanha, Bolsonaro defende os valores tradicionais da família cristã, o porte de armas e ‘prega’ que o combate à violência no Brasil, país que atingiu a marca de 63.800 homicídios em 2017, deve ser feito de forma violenta pelas autoridades.

Entre as propostas mais polémicas para a área de segurança pública está a implantação de uma figura jurídica no sistema legal que impediria o julgamento criminal de homicídios cometidos por polícias em serviço.

O candidato declarou, também, que se for eleito não vai aplicar recursos do Governo em instituições que atuam em defesa dos direitos humanos, afirmando pretender retirar o Brasil do Comité de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Considerado polémico e que desperta paixões e controvérsia, Bolsonaro já foi condenado por injúria e apologia ao crime de violação após uma ofensa contra a deputada Maria do Rosário após uma sessão na câmara baixa do Parlamento brasileiro, em 2003.

Após uma discussão, Bolsonaro declarou que a deputada não merecia ser violada: "Porque ela é muito feia, não faz meu género, jamais a violaria. Eu não sou violador, mas, se fosse, não iria violar porque não merece”.

Bolsonaro também foi acusado pela Procuradoria-Geral do Brasil do crime de racismo, em 2016, quando comparou com animais os descendentes de negros africanos que fugiram antes da abolição da escravatura e vivem em comunidades rurais demarcadas no interior do Brasil.

O candidato, que lidera as sondagens às presidenciais do Brasil, também responde num processo por declarações homofóbicas, feitas num programa de televisão e é investigado por suposta apologia ao crime de tortura.

A última acusação baseia-se na homenagem que fez ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido torturador brasileiro, no momento em que votava a favor da destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, que anos antes de entrar para a política foi presa e torturada durante a ditadura militar.