O governo francês pediu explicações aos EUA por causa dos milhões de chamadas gravadas pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, avança o «Le Monde».

De acordo com o jornal, que cita Edward Snowden, mais de 70 milhões de telefonemas foram gravadas pela Agência Nacional de Segurança desde dezembro de 2012 e gravou SMS com o programa «US-985D».

Segundo os documentos de Edward Snowden, a agência americana teve como alvo não apenas pessoas suspeitos de envolvimento de terrorismo, mas também indivíduos de destaque no campo económico e político.

Confrontado com esta situação, Laurent Fabius, ministro das Relações Exteriores francês, «convocou imediatamente» ao embaixador norte-americano em Paris a pedir explicações, avança a AFP.

«Convoquei imediatamente o embaixador dos Estados Unidos, que será recebido ainda esta manhã no Quai d'Orsay [Ministério dos Negócios Estrangeiros francês]», declarou Laurent Fabius, ao chegar a uma reunião de chefes da diplomacia da UE no Luxemburgo.

«Este tipo de práticas entre parceiros, que atingem a vida privada, é totalmente inaceitável. É preciso garantir, muito rapidamente, que deixaram de ser realizadas», disse à imprensa.

Já o ministro do Interior, Manuel Valls, em declarações à «Europe 1», classificou as revelações da suposta espionagem como «chocante».

No entanto, autoridades norte-americanas recusaram-se a comentar as suspeitas sobre documentos «classificados».

México também quer explicações

Tal como a Espanha, também o México considerou como «prática inaceitável» a espionagem feita ao email do ex-presidente Felipe Calderón.

«O governo do México reitera categoricamente a condenação à violação da privacidade das comunicações das instituições e cidadãos mexicanos», pode ler-se num comunicado do ministério das Relações Exteriores citado pela revista alemã, Der Spiegel, que divulgou o caso.

De acordo com a revista alemã, a Agência Nacional de Segurança «espionou sistematicamente e durante anos o governo mexicano».

«Esta prática é inaceitável, ilegítima e contrária ao direito mexicano e ao direito internacional», diz o comunicado, pedindo uma investigação às autoridades americanas, que deverá ser «concluída rapidamente».

Segundo a revista alemã, que cita um documento de Edward Snowden, a NSA «explorou com êxito uma password de email na rede da presidência mexicana (...) para obter, pela primeira vez, acesso à conta pública do email do (então) presidente Felipe Calderón».

Em setembro, Barack Obama comprometeu-se com o atual presidente, Enrique Peña Nieto, a realizar uma investigação exaustiva.

A missão «Flatliquid» foi atribuída ao departamento chamado Operações de Acesso à Medida e o caso pode provocar ainda mais tensão nas relações entre México e Estados Unidos, principalmente por Calderón ter trabalhado em parceria com Washington.