Estima-se que sejam mais de 4 mil os pescadores estrangeiros presos num grupo de ilhas remotas ao largo da Indonésia. É o que diz a Organização Internacional de Migração na Indonésia, uma instituição de solidariedade que tem atualmente uma missão na zona.

Informações descobertas numa investigação da Associated Press (AP) dão conta que, incluído neste número está um grupo de homens que se pensa terem sido escravizados.

Muitos destes trabalhadores migrantes foram abandonados pelos seus capitães depois de uma moratória do governo Indonésio que obriga os barcos estrangeiros a ancorar para que se investigue a legalidade dos operadores, como confirma o subchefe da missão, Steve Hamilton.

«É perfeitamente razoável esperar que muitos são vítimas de tráfico, se é que não foram já mesmo escravizados», esclarece Hamilton.

As informações dadas por um oficial indonésio dão conta da presença de mil destes homens em Benjina, uma cidade que junta duas ilhas na cadeia Maluku.

A AP já tinha alertado, na quarta-feira, para a presença de homens trancados dentro de uma jaula pertencente a uma companhia piscatória em Benjina. Em entrevista, cerca de 40 destes trabalhadores migrantes afirmaram vir da Birmânia. Tinham sido trazidos para a Indonésia através da Tailândia e forçados a trabalhar nas traineiras com capitães tailandeses.

Alguns destes 40 homens fugiram da escravatura e vivem nestas ilhas à mais de cinco anos, sendo que pelo menos um se encontra em Benjina há mais de 20 anos. Todos descrevem horríveis condições de trabalho aquando no mar. Forçados a beber água imprópria para consumo e a trabalhar em turnos de 20-22 horas, muitos dos seus colegas não sobreviveram.

Os governos indonésio e tailandês afirmaram estar a investigar estas situações e prometeram agir de forma a acabar com a escravatura.