A jornalista boliviana Escarley Pacheco foi alegadamente ameaçada de morte através de uma carta deixada na porta da sua casa, que continha uma bala e estava manchada com o que parece ser sangue, relatou o canal televisivo privado ATB.

A assessora de imprensa da ATB na cidade de Cochabamba, no centro do país, Angélica Lazarte, disse à Efe que a ameaça foi anónima, mas que neste canal televisivo foi entendida como sendo dirigida a toda equipa dos seus jornalistas na região, em resultado dos seus trabalhos de investigação jornalística.

Este meio de comunicação tem denunciado vários casos de corrupção que envolvem funcionários de diversas entidades públicas.

«Esta bala tem o preço da tua cabeça, tem o teu nome, Escarley Pacheco (...). Nunca devias ter metido o teu nariz na vida dos outros», segundo um extrato do texto, divulgado pela imprensa local.


Lazarte assinalou que o ministro boliviano do Interior, Hugo Moldiz, deu ao canal garantias para o seu trabalho e anunciou que se iam tomar as necessárias medidas de segurança, sem se saber porém em que consistem essas garantias.

«Disse-me que devíamos ficar tranquilos, que as pessoas que ameaçam não cumprem as ameaças e que se iam tomar todas as medidas de segurança e sobretudo na investigação esclarecer quem são» os autores, adiantou Lazarte.


Acrescentou que há mais de duas semanas que os jornalistas do canal começaram a sofrer assédio nas redes sociais, onde foram divulgadas fotografias com ameaças, instando inclusive à violação de uma apresentadora e à agressão das fontes.

Esta ameaça soma-se a outra recebida este mês pelo jornalista José Miguel Manzaneda, do mesmo meio, que denunciou que desconhecidos mancharam com sangue a fachada da sua casa, depois de ter escrito sobre alegados vínculos de polícias com traficantes de droga.

«Estamos num Estado de direito. Não se pode fazer jornalismo com medo. Vamos continuar a fazer jornalismo porque este é um serviço, é um jornalismo ético, honrado, com boas intenções, mas também firme e contundente», garantiu.