O governo turco justificou hoje que o bloqueio da rede social Twitter no país, contornada pelos internautas, é uma «medida preventiva» contra uma campanha de «difamação» após fugas de informação num escândalo de corrupção envolvendo o primeiro-ministro.

«O Twitter foi utilizado como um instrumento de difamação sistemática ao fazer circular gravações feitas ilegalmente e escutas telefónicas manipuladas», disse à agência France Presse, num comunicado escrito em inglês, o gabinete do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

«O governo turco opõe-se à livre circulação destas gravações (...) no Twitter e em outros «sites» e redes sociais que pretendem ameaçar a segurança do Estado e manchar a reputação dos cidadãos. O Governo não é contra a internet», afirma o comunicado.

O gabinete de Erdogan refere precedentes internacionais, incluindo a decisão da Alemanha de banir uma conta neo-nazi do Twitter, em outubro.

A Turquia bloqueou o acesso ao Twitter na quinta-feira, depois de Erdogan, cujo governo está envolvido num escândalo de corrupção, ter ameaçado «apagar» a rede social. Esta foi a primeira vez que o governante comentou o assunto.

O executivo afirmou ainda que a interdição foi criada depois de o Twitter ter recusado acatar «centenas de decisões judiciais» que ordenavam, desde janeiro, a remoção de conteúdo considerado ilegal.

«É difícil compreender a indiferença do Twitter e a sua posição imparcial e tendenciosa. Acreditamos que esta atitude prejudica a imagem [da rede social] e cria uma imagem injusta e imprecisa do nosso país», acrescenta a nota.

Ancara apelou ao Twitter e a outras redes sociais para que respeitem o princípio de que «aquilo que é crime na vida real também é crime no mundo digital».

O governo turco ampliou hoje as suas medidas de censura contra a rede social, depois de o encerramento decretado na noite de quinta para sexta-feira ter tido um impacto reduzido.

A Comissão Europeia lamentou na sexta-feira a decisão da Turquia de bloquear o acesso às contas do Twitter e disse que essa iniciativa «levanta dúvidas» sobre o «compromisso» da Turquia enquanto candidato à adesão à União Europeia.