O governo do Iraque deu hoje à região curda do país um prazo até sexta-feira para entregar os aeroportos que controla às autoridades federais ou, então, enfrentar uma proibição de voar.

O ultimato do primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, surge um dia depois de os curdos do Iraque terem realizado um referendo sobre a independência - uma consulta não vinculativa, mas ainda assim histórica, tratando-se de um voto inédito para uma parte do maior povo sem Estado - que foi veementemente condenado por Bagdad e pelos Estados vizinhos do Iraque.

Al-Abadi indicou que a proibição de voar excluirá voos humanitários e outros que sejam “urgentes”.

Ameaças que chegam também da Turquia, com o presidente a acusar o chefe do governo desta região autónoma de “traição” e a avisa que se os curdos do Iraque não desistirem da independência podem esquecer a comida que passa todos os dias a fronteira vinda da Turquia.

Segundo a Reuters, que cita a declaração televisiva do líder turco, Erdogan assegurou que os curdos vão “ficar famintos” se o seu país parar com o fluxo de camiões e petróleo que passa na fronteira com o norte do Iraque.

Palavras que confirmam que Tayyip Erdogan terá acreditado, até ao último momento, que o presidente Massoud Barzani ia desistir do referendo. Em vez disso, as urnas estiveram abertas esta segunda-feira e um dia depois, os votos continuam a ser contados. Mas segundo os primeiros resultados preliminares, noticiado pelo canal de televisão curdo Rudaw, cerca de 91,83% dos votantes são pelo “sim” à independência. A ideia de Barzai é ganhar peso político para depois iniciar negociações com Bagdad, o que o Governo iraquiano recusa.

 A Turquia, que é o lar da maior população curda da região está lutando contra uma insurgência curda de três décadas no sudeste, que faz fronteira com o norte do Iraque.

O Iraque, incluindo a região curda, foram o terceiro maior mercado de exportação turco em 2016, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, atrás Alemanha e Reino Unido.