O chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, acusa a União Europeia de “humilhar” a Turquia, e condiciona novamente o respeito do acordo migratório UE-Turquia à supressão dos vistos, numa entrevista ao jornal alemão Bild publicada hoje.

“O povo turco está traumatizado” depois da tentativa de golpe de 15 de julho, e os europeus “humilham-nos em vez de ajudar a Turquia”, disse Cavusoglu ao jornal alemão, deplorando o congelamento das negociações de adesão à União Europeia e as discussões sobre a isenção de vistos para os cidadãos turcos.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ancara trabalhou “como poucos países para atingir as condições de adesão à UE”, mas em troca só colheu “ameaças, insultos e um bloqueio total” por parte dos 28 estados-membros.

Desde a tentativa falhada de golpe de Estado, no passado dia 15 de julho, que o clima de tensão entre a União Europeia e a Turquia tem vindo a subir de tom.

Com o país completamente dividido e a viver sob o comando do medo, o governo de Erdogan resolveu empreender uma verdadeira "caça ao homem", a todos os que o presidente tem apelidado de “traidores”. Uma “perseguição extremada” que, em muitos casos, está a levar a atos de violência já condenados pela própria União Europeia.

O regime de Erdogan não poupa nem sequer as crianças, algumas das quais já deteve e acusou, igualmente, de traição. O Governo de Anacara chegou mesmo a sugerir o regresso da pena de morte ao país, o que provocou uma onda de protestos na comunidade internacional com o presidente da União Europeia, Jean-Claude Juncker, a assegurar que nunca receberá no seio dos 28 um país que pratica este tipo de ato.

As posições extremadas por parte do governo turco tem sido acompanhado de um endurecimento de atitude por parte da Europa. Numa altura em que aumentam os receios de que a Turquia ponha um travão ao fluxo de refugiados provenientes da Síria. No início de agosto, o ministro grego, Yannis Mouzalas, reivindicava "um plano B" da União Europeia no caso de a Turquia denunciar o acordo que permitiu reduzir o fluxo de migrantes para a Europa. Um acordo com Anacara que permitiu à Grécia suspirar “ligeiramente” de alívio, já que tem sido o país mais fustigado com a fuga em massa de sírios, desde que se adensaram os conflitos em 2015.

Os receios estão longe de ter um fim à vista.