O presidente mexicano, Enrique Pena Nieto, anunciou na terça-feira que a sua esposa, Angelica Rivera, vai dar explicações sobre a luxuosa casa que possui, considerando que ele próprio foi vítima, a este propósito, de acusações sem fundamento.

«Não vou permitir que este assunto e as acusações que motivam ponham em dúvida a confiança que a maioria dos mexicanos tem depositado em mim», disse o chefe de Estado, visivelmente irritado, durante uma cerimónia pública no Estado do México, no centro do país.

Em plena crise política, ligada ao desaparecimento de 43 estudantes no sul do México, o presidente lamentou que «neste clima de consternação apareçam acusações sem fundamento e afirmações sem qualquer rigor».

Em 08 de novembro, foi publicada uma reportagem na comunicação social que imputou à primeira-dama a compra de uma mansão, estimada em sete milhões de dólares (5,6 milhões de euros), a uma empresa mexicana que integrou o consórcio escolhido no início de novembro para introduzir o comboio de alta velocidade no país.

Esta concessão, atribuída a um consórcio liderado pela empresa chinesa China Railway Construction Corporation (CRCC), foi anulada de forma súbita pelo presidente mexicano, apenas três dias depois da sua atribuição e pouco antes da sua deslocação à China.

Esta anulação surpreendente aconteceu depois de acusações da oposição, sobre a transparência do processo de concurso, no qual o consórcio vencedor foi o único candidato, depois de outras 16 empresas terem recusado participar por o considerarem demasiado limitado.

Alguns comentadores atribuem a decisão presidencial ao conhecimento por Pena Nieto de uma investigação que estava a ser realizada por uma conhecida jornalista mexicana, Carmen Aristegui.

O presidente mexicano indicou que seria a sua mulher, uma antiga vedeta de telenovelas, “que vai explicar à sociedade mexicana a origem dessa propriedade e como a fez construir”, sem dar qualquer data para esta explicação.

O México está confrontado com uma vaga de protestos, por vezes violentos, desde o desaparecimento de 43 estudantes em 26 de setembro, em Iguala, no Estado de Guerrero, e sobretudo depois do anúncio, em 07 de outubro, de que três presumíveis criminosos teriam confessado ter matado os estudantes, queimado os seus cadáveres, reunido os restos para os lançar para um rio.

Durante estes protestos, tem-se ouvido a pedidos de demissão do presidente.