O Presidente do México prometeu, na quinta-feira, continuar a procurar a verdade sobre o desaparecimento de 43 estudantes no ano passado, com as famílias a acusarem as autoridades de mentirem sobre os acontecimentos.

Enrique Peña Nieto falou durante quase três horas com os pais dos jovens, na Cidade do México, dias antes de se assinalar o primeiro aniversário do seu desaparecimento.

Os pais, que se encontravam a meio de uma greve de fome de 43 horas, fizeram oito pedidos a Peña Nieto, num documento em que acusam as autoridades de terem fabricado “uma mentira histórica”.

O porta-voz do Presidente, Eduardo Sanchez, disse que Peña Nieto assinou o documento e pediu ao gabinete do Ministério Público e aos ministérios do Interior e dos Negócios Estrangeiros que o analisassem.

“Estamos do mesmo lado e a trabalhar para o mesmo objetivo: descobrir o que aconteceu aos nossos filhos e punir todos os responsáveis. Estamos à procura da verdade juntos”, disse Peña Nieto aos pais, numa reunião à porta fechada, segundo o sue porta-voz.

“O Presidente deixou muito claro que a investigação ainda está aberta, nunca esteve fechada, não será arquivada”, afirmou ainda.

No entanto, Vidulfo Rosales, advogado das famílias, disse que o Presidente não se “comprometeu de forma satisfatória” com os pedidos, sublinhando que as promessas de Peña Nieto não são novas.

A Amnistia Internacional (AI) pronunciou-se também sobre o caso, considerando que a investigação especial ordenada pelo Presidente mexicano é insuficiente.

“A resposta do Governo de Peña Nieto, após a sua reunião com as famílias dos estudantes, mostra falta de vontade política para esclarecer os acontecimentos de 26 de setembro de 2014 no município de Iguala, estado de Guerrero”, afirmou a organização de defesa dos direitos humanos.

“As famílias dos desaparecidos merecem mais do que palavras e demonstrações superficiais de boa vontade. Os compromissos assumidos pelo Presidente Peña Nieto não têm qualquer significado para as famílias dos desaparecidos se não produzirem resultados tangíveis”, disse Perseo Quiroz, diretor da AI no México.

A organização defende que o Presidente deve ordenar uma investigação ao alegado envolvimento do exército nos desaparecimentos e deve permitir que um grupo de especialistas da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos entreviste os militares.

Os estudantes de uma escola de formação de professores no estado de Guerrero desapareceram depois de terem sido atacados por polícias locais na cidade de Iguala.

As autoridades dizem que a polícia os entregou ao cartel Guerreros Unidos, que os matou e incinerou os corpos.

Mas a investigação oficial foi questionada por especialistas independentes da Comissão Inter-Americana para os Direitos Humanos, que dizem não haver provas de que os estudantes tenham sido queimados numa lixeira, como tinha sido avançado.