Atualizado às 19:15

Uma segunda análise positiva à auxiliar de enfermaria espanhola que atendeu o missionário Manuel Garcia Viejo, vítima mortal de Ébola no passado dia 25 de setembro num hospital madrileno, e também Miguel Pajares, falecido a 12 de agosto, confirmou hoje o primeiro caso de contágio na Europa.

Ministra da saúde espanhola já confirmou o caso da auxiliar de enfermaria e diz que «fonte de contágio» está sob análise. A a uxiliar de enfermaria  entrou de férias logo após a morte do missionário e esteve ausente desde então

Fontes do Hospital de Alcorcon confirmaram que a segunda análise, realizada ao final da tarde, confirmou o diagnóstico da primeira análise, realizada quando a  auxiliar  deu entrada naquela unidade durante a manhã de hoje. 

As mesmas fontes explicaram que devido ao elevado risco de contágio foi já ativado o protocolo de segurança previsto para situações deste tipo.

Fontes médicas explicaram que a mulher, que trabalha no hospital Carlos III, onde atendeu o missionário, deu entrada hoje de manhã com sintomas de Ébola. 

Segundo os media espanhóis, a profissional, na casa dos 40 anos de idade, e cuja a identidade não foi ainda revelada, é casada, não tem filhos, e trabalha há 15 anos no Hospital Carlos III, em Madrid.  

No hospital Carlos III já entraram dois casos de Ébola, dos missionários Miguel Pajares e Manuel García Viejo, repatriados de África onde contraíram a doença e que acabaram por morrer em Madrid.

Presidente de sindicato médico espanhol «consternado»

O presidente do sindicato médico espanhol AMYTS, Daniel Bernabéu, manifestou hoje «um misto de espanto e indignação» com a notícia de que uma auxiliar de enfermaria espanhola foi contagiada com o vírus do Ébola, em Madrid.

«Estamos absolutamente chocados», disse Bernabéu aos jornalistas, afirmando que sempre se trabalhou com os protocolos estabelecidos e «terá que se analisar exatamente em que circunstâncias foi possível o contágio ocorrer».

Considerando o contágio de hoje como «algo terrível», o médico considerou que «do ponto de vista epidemiológico, se vai controlar», porque as condições de Espanha são diferentes das dos países africanos, onde se têm registado a quase totalidade das mortes.

Espanha era o sexto país da Europa com maior risco de contágio

De acordo com um estudo divulgado recentemente, a Espanha, onde hoje foi confirmado o primeiro caso de contágio de Ébola na Europa, era o 19º país com maior risco de contágio.

O estudo, produzido pela Universidade de Lancaster, noroeste da Inglaterra, aplicava vários critérios como padrões de deslocações da população ritmo de contágio e considerava que seis outros países europeus tinham mais risco: França, Reino Unido, Bélgica, Alemanha e Suiça.

Segundo o estudo, o risco de que houvesse um caso de contágio em Espanha era de 14%.

No hospital Carlos III entraram dois casos de Ébola, dos missionários Miguel Pajares e Manuel García Viejo, repatriados de África onde contraíram a doença e que acabaram por morrer em Madrid.

O caso está a ser acompanhado no Ministério da Saúde em Madrid antecipando-se que a ministra da Saúde, Ana Mato, fale aos jornalistas cerca das 20.00 locais (19:00 em Lisboa).

Especialistas recordam que o vírus de Ébola - que já causou mais de 3.400 mortos desde que reapareceu em março - tem um período de incubação de entre dois e 21 dias.

Na primeira fase da doença os sintomas incluem dor de cabeça, febre, dor de garganta, dor muscular e debilidade intensa. A segunda fase inclui sintomas como vómitos, disfunção hepática e renal, hemorragias internas e externas, diarreia.

A mortalidade do atual vírus é de cerca de 54%, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)

O contágio entre humanos ocorre por contacto direto com órgãos, secreções ou sangue, com o vírus a entrar através de mucosas ou pequenas feridas na pele.

Antes deste caso Espanha tinha registado vários casos suspeitos de Ébola, que as análises comprovaram ser negativos. O mesmo ocorreu com os três casos suspeitos em Portugal.