As urnas abriram, neste domingo, às 08:00 (07:00 em Lisboa) em França para a primeira volta das legislativas, um mês depois da eleição do presidente centrista Emmanuel Macron, cujo partido procura obter maioria para concretizar as reformas prometidas na campanha.

Mais de 47 milhões de franceses são chamados a escolher os 577 deputados da Assembleia Nacional (11 dos quais em representação dos franceses residentes no estrangeiro) até às 20:00 (19:00 em Lisboa), altura em que encerram as assembleias de voto e devem ser divulgadas as primeiras projeções assentes em resultados parciais.

Eliminados na primeira volta das presidenciais, os tradicionais partidos de esquerda e direita que partilham o poder em França desde há 60 anos, temem ser hoje varridos por uma ‘onda azul’, a cor do movimento presidencial criado há apenas um ano.

Segundo várias projeções, o movimento República Em Marcha (REM) poderá mesmo conquistar perto de 400 deputados, muito além do limite de 289 assentos parlamentares necessário para obter a maioria absoluta.

Estas legislativas revestem-se de uma enorme importância para Emmanuel Macron, que precisa de uma sólida maioria absoluta para aplicar a sua política de reformas social-liberais: moralização de uma vida política minada por escândalos financeiros, flexibilização do código de trabalho – correndo o risco de desencadear a ira dos sindicatos – e redução dos défices públicos, em cumprimento das normas europeias.

Se nenhum dos candidatos ultrapassar os 50% na primeira volta, os dois primeiros ficam automaticamente qualificados para uma segunda volta, tal como aqueles que ultrapassarem 12,5% dos inscritos – mesmo na terceira ou na quarta posições.

Na segunda volta, agendada para 18 de junho, vence o partido que obtiver mais votos, qualquer que seja a participação do eleitorado.

As eleições decorrem sob fortes medidas de segurança, estando mobilizados cerca de 50 mil polícias e 'gendarmes', dado que a França registou, desde 2015, uma vaga de atentados que resultaram em 239 mortos.

Portugueses entre os candidatos

Nas eleições de hoje há, pelo menos, 24 candidatos de origem portuguesa.

De acordo com a lista definitiva publicada pelo ministério francês do Interior, 7.878 candidatos concorrem na primeira volta, tendo a agência Lusa contactado 24 candidatos de origem portuguesa, ainda que haja acima de uma centena de apelidos com grafia portuguesa, entre os quais haverá candidatas francesas casadas com portugueses e candidatos de origem espanhola com apelidos semelhantes aos portugueses.

A associação de eleitos de origem portuguesa Cívica contabilizou um mínimo de 63 candidatos de origem portuguesa, tendo excluído da contagem apelidos como Garcia, Domingos e Costa, disse à agência Lusa o presidente da associação Paulo Marques.

Com a etiqueta ‘A República em Marcha!’, do presidente Emmanuel Macron, candidatam-se, por exemplo, Dominique da Silva, na 7.ª circunscrição do Val d´Oise, Ludovic Mendes, na 2ª circunscrição de Moselle, e, também, Otília Ferreira, na primeira circunscrição de Charente-Maritime, que é candidata do partido centrista MoDem aliado a Macron.

Na corrida eleitoral de Os Republicanos, estão, entre outros, Alexandra Ribeiro Custódio, na segunda circunscrição de Loire, e Bruno Leal, na primeira circunscrição de Charente-Maritime, enquanto, entre os socialistas, a lusodescendente Christine Pires Beaune recandidata-se a um cargo de deputada pela segunda circunscrição de Puy-du-Dôme e Nathalie de Oliveira concorre na terceira circunscrição de Moselle.

A França Insubmissa conta, por exemplo, com Virginie Araújo na 3ª circunscrição de Essonne, e o Partido Comunista Francês espera que Patrice Carvalho, na sexta circunscrição de Oise, conquiste um terceiro mandato consecutivo de deputado, enquanto Fabienne dos Santos se apresenta na 4ª circunscrição de Paris e Catherine dos Santos na 11a circunscriçao de Val-de-Marne.

Pela Frente Nacional concorrem a franco-portuguesa Lucinda Carvalho na terceira circunscrição de Pyrinées-Atlantiques e Franck Beeldens-da Silva na 4.ª circunscrição de Essonne, entre outros.