O embaixador Seixas da Costa, que representou Portugal em Paris entre 2009 e 2013, considera que a lição que se tirou do caso Charlie Hebdo “não foi suficiente”. O embaixador considera que os atentados de Paris vêm revelar que ainda se sabe muito pouco sobre o poderio do Estado Islâmico.
 

“As lições que foram tiradas do caso Charlie Hebdo e daquilo que se pensava ter sido um reforço da segurança francesa, nomeadamente em matéria de inteligence e dos serviços de informação, não foi suficiente”, disse Seixas da Costa, em entrevista no Jornal das 8 da TVI.

 

“Pelos vistos, há muito mais em termos de capacidade operativa do Estado Islâmico e em particular daquilo que são uma espécie de tentáculos que o estado Islâmico tem um pouco por toda esta europa.”

 
O facto de Portugal ter sido escolhido como alvo explica-se por duas vertentes. A primeira é interna: “Há uma grande comunidade islâmica em frança, que veio sobretudo da Argélia, cuja segunda geração se sente pouco vinculada e pouco ligada a um patriotismo francês.”
 

“É uma geração que sofre também alguma exclusão, algum desemprego e, de repente, vê no Estado Islâmico uma espécie de poder a que se pode ligar e que, ao mesmo tempo os resgata de uma certa humilhação que parece existir. A França tem o inimigo dentro de si.”

 
Além disso, Seixas da Costa lembra que “a França, no plano externo, tem sido o país europeu que tem atuado de forma mais eficaz”.