O embaixador iraniano em Portugal, Hossein Gharibi, disse hoje à Lusa que a comunidade internacional deve ir mais além do que a condenação das movimentações dos rebeldes sunitas no Iraque, impondo «medidas preventivas».

«A União Europeia e outros países têm condenado estes acontecimentos, mas não é o suficiente. Têm de ir mais além e tomar medidas preventivas», que Gharibi se escusou a especificar, em declarações à Lusa.

Questionado sobre os mais recentes desenvolvimentos nos conflitos no Iraque, onde os rebeldes sunitas se deslocam para Bagdade, o embaixador iraniano considerou que ainda é prematuro comentar, existindo muitas questões sem resposta.

«Como pode este grupo pequeno - dizem que são menos de duas mil pessoas - conseguir controlar grandes cidades?», perguntou, acrescentando que «há Estados a apoiar estes grupos».

Para Hossein Gharibi, estes acontecimentos representam uma situação «muito perigosa para todos os países árabes, aquela região e também para a Europa».

O embaixador referiu que o Irão - onde o governo, tal como o Iraque, é xiita -, está a observar os mais recentes desenvolvimentos, insistindo que a «dimensão deste fenómeno não é clara».

Os rebeldes sunitas estão a caminho de Bagdade, depois de se terem apoderado de extensas áreas do noroeste do Iraque, e os Estados Unidos admitem realizar ataques aéreos para deter a ofensiva extremista.

Os combatentes do grupo radical islâmico do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), ligado à Al-Qaida, ocuparam nos últimos dias as regiões de Siniyah e Suleimane-Bek, a província iraquiana de Ninive e parte de duas províncias vizinhas, Kirkuk e Salaheddine, incluindo a cidade de Tikrit, entretanto já retomada.

Face a esta ofensiva e à incapacidade do exército iraquiano para a conter, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se à porta fechada hoje, contando com uma intervenção do enviado especial da ONU no Iraque, Nickolay Mladenov, por vídeo-conferência.

Os combatentes islâmicos encontravam-se hoje de manhã a menos de 100 quilómetros de Bagdade, depois de terem tomado na noite anterior Dhuluiya, segundo um coronel da polícia e habitantes contactados por telefone pela agência noticiciosa France Presse.

Além dos territórios do norte, os combatentes do EIIL, considerado como um dos grupos «mais perigosos no mundo» pelos Estados Unidos da América, controlam já regiões da província ocidental de Al-Anbar, incluindo a cidade de Falluja desde janeiro.

Para deter a ofensiva islâmica, os Estados Unidos, que retiraram os seus militares do Iraque no final de 2011 e depois de oito anos, estão a considerar várias opções, mas excluem o envio de tropas terrestres.

A ajuda a Badgade poderá ser dada através de ataques realizados por «drones» (aviões não tripulados), segundo um responsável norte-americano.

O EIIL, que pretende a instauração de um Estado islâmico, conta com o apoio de tribos antigovernamentais e de grupos entre a minoria sunita que se considera marginalizada pelo poder xiita.