O embaixador angolano em Lisboa defendeu que o país sempre conduziu as suas relações com os parceiros internacionais na base da igualdade, respeito e não ingerência e avisou querer manter esses princípios.

Durante o discurso na cerimónia que assinalou, na segunda-feira, o 38.º aniversário da independência de Angola, enviado esta terça-feira à agência Lusa, José Marcos Barrica sublinhou a forma como considera que devem ser as relações entre países parceiros.

Dedicando um agradecimento especial aos portugueses «que tão afetuosamente» acolhem os angolanos, o embaixador lembrou que «o Estado angolano sempre conduziu as relações com os seus parceiros de cooperação internacional na base de igualdade soberana, respeito mútuo e não ingerência».

Em «homenagem à ética e bons costumes», Angola «não vai abdicar desses princípios», acrescentou, no discurso proferido na cerimónia realizada em Lisboa.

«Na defesa e preservação da independência e soberania nacionais, o povo angolano está grato à cooperação internacional e ao apoio solidário que tem recebido ao longo dos anos, dos diferentes países», adiantou José Marcos Barrica.

As relações entre Portugal e Angola sofreram alguma tensão depois de, no início de outubro, o ministro português dos Negócios Estrangeiros ter pedido «desculpas diplomáticas» ao Estado angolano pelas investigações judiciais que atingem altas figuras daquele regime.

No discurso de aniversário, o embaixador referiu ainda que também se completam 11 anos de "renascimento" de Angola «com a conquista da paz efetiva» e defendeu que, desde lá, o país tem sabido «adaptar-se às circunstâncias» e enfrentar «os maiores desafios internos e as sistemáticas ingerências externas».

Hoje, afirma, «o Governo continua firme e empenhado na concretização dos grandes objetivos que visam consolidar a paz, reforçar e aperfeiçoar a democracia, preservar a unidade nacional, promover a justiça social e o desenvolvimento, elevar continuamente o nível da educação e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos».

José Marcos Barrica considerou ainda que o Presidente José Eduardo dos Santos tem sido «perspicaz, coerente e prudente na condução do complexo processo de construção da Nova Angola», o que permitiu ao país viver «um clima de paz e de estabilidade político-constitucional», além de consolidar o processo democrático e manter o crescimento da economia, «apesar de alguns revezes».