Emmerson Mnangagwa venceu as eleições presidenciais no Zimbabué à 1.ª volta, anunciou a comissão eleitoral do país.

Três dias após as eleições, os resultados foram divulgados e o antigo braço direito de Robert Mugabe, presidente derrubado em novembro, venceu com 50,8% dos votos. Mnangagwa superou o líder da oposição, Nelson Chamisa, que obteve 44,3% dos votos, detalhou a presidente da comissão, Priscilla Chigumba, durante uma conferência de imprensa em Harare, organizada em ambiente de tensão, com os militares a partilharem as ruas da capital.

A oposição já protestou os resultados e fala em fraude eleitoral.

Eu venci. No geral, eu tive a maioria dos votos. O senhor Mnangagwa sabe que perdeu as eleições. Se ele tivesse vencido, os resultados já tinham sido anunciados há muito tempo", afirmou o outro candidato, Nelson Chamisa. 

Já minutos antes do anúncio dos resultados, um porta-voz da oposição tinha tomado a palavra, durante a conferência de imprensa da comissão eleitoral, para denunciar os “resultados falsos”.

Os zimbabueanos foram chamados às urnas na segunda-feira, pela primeira vez desde a queda de Mugabe, obrigado a demitir-se sob pressão dos militares, ao fim de 37 anos do poder.

A divulgação dos resultados que dão a vitória a Mnangagwa fazem temer novos protestos e confrontos nas ruas.

Já na tarde desta quinta-feira, um porta-voz da polícia adiantou que os confrontos entre manifestantes, exército e forças de segurança provocaram seis mortes no dia anterior e face aos tumultos nas ruas da capital, Harare, a comissão eleitoral daquele país, a leste de Moçambique, prometeu divulgar os resultados das presidenciais ao final desta quinta-feira, o que se verificou.

Recorde-se que esta quarta-feira, para além da confusão nas ruas, agentes da polícia do Zimbabué invadiram a sede do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) e detiveram 16 pessoas, tendo selado o edifício, segundo informação da agência de notícias Reuters.

A polícia chegou com um mandado de busca e de apreensão, alegando que havia computadores e outros materiais subversivos", informou o advogado Denford Halimani, membro do MDC.

O advogado adiantou ainda à Reuters que os polícias terão usado "uma tática para amedrontar. Não apanharam nada. Levaram 16 pessoas que teremos de confirmar se ficaram presas".

 

"Grande preocupação"

Os observadores eleitorais internacionais no Zimbabué expressaram esta quinta-feira, numa declaração conjunta, "grande preocupação" com a violência pós-eleitoral e apelaram à Comissão Eleitoral que divulgue "rapidamente" os resultados das eleições, de "forma transparente".

A declaração da União Europeia, Estados Unidos da América, Commonwealth, União Africana e outras missões de observadores denuncia o "uso excessivo da força" para acalmar os protestos de quarta-feira, em Harare, e pede "contenção" ao exército e à polícia do Zimbabué.

Os observadores internacionais apelam aos partidos políticos "pela paz e condenam o vandalismo".

Segundo a agência Associated Press, a Grã-Bretanha afirmou que o seu embaixador no Zimbabué reuniu-se com os ministros do governo e "deixou claro que os militares deveriam ser afastados das ruas de Harare".

Uma declaração da embaixada também condena o "uso excessivo da força pelas forças de segurança para com os manifestantes" em Harare.

A declaração saúda os comentários do Presidente Emmerson Mnangagwa, que anunciou uma investigação independente sobre a violência em Harare. Autoridades do Zimbabué afirmam que os militares permanecerão mobilizados até a situação terminar.

Segundo a agência de notícias EFE, nove missões internacionais de observação eleitoral pediram hoje à Comissão Eleitoral do Zimbabué que publique "sem demora" os resultados completos e detalhados das eleições presidenciais de segunda-feira.

Guterres preocupado

Também o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, se mostrou preocupado com os relatos de violência em Harare, no Zimbabué, após as eleições presidenciais de segunda-feira.

Segundo um comunicado do seu porta-voz, Farhan Haq, o secretário-geral das Nações Unidas lembrou os compromissos assumidos pelas partes interessadas no Compromisso de Paz e no Código de Conduta para assegurar um "processo eleitoral pacífico e ordeiro".

António Guterres pediu aos líderes políticos e à população que rejeitem "qualquer forma de violência", enquanto aguardam pelo anúncio dos resultados eleitorais.

O secretário-geral das Nações Unidas apelou aos líderes políticos e aos concorrentes eleitorais para prosseguirem quaisquer disputas através de meios pacíficos, diálogo e de acordo com a lei.

Para António Guterres, as eleições marcam um passo em frente importante no desenvolvimento democrático do Zimbabué.

O secretário-geral observou o espírito pacífico e democrático, que foi elogiado pelos observadores nacionais e internacionais, durante o dia das eleições", refere o comunicado do seu porta-voz, Farhan Haq.