O Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, considerou que a presença em São Tomé e Príncipe de deputados de Portugal é «uma autêntica vergonha» e contribuíram para «sujar o nome» do país com pretensões que não são as do povo.

«O povo são-tomense não percebe como gente de países amigos vem a São Tomé e Príncipe - deputados de Portugal do CDS, do PS e PSD -, mas estou convencido que não foram os partidos que os mandaram», disse o Presidente em declarações aos jornalistas depois de ter votado numa secção de voto em Pantufo, no distrito de Agua Grande.

No entanto, o Presidente considerou que a presença dos deputados «não vai perturbar as relações com Portugal, mas é uma autêntica vergonha que tenham contribuído para sujar o nome de São Tomé e Príncipe com pretensões que não são as do povo», como cita a Lusa.

Algumas figuras portuguesas como o juiz Rui Rangel, o ex-ministro da Administração Interna Rui Pereira ou os deputados socialistas Mário Ruivo e João Portugal, Nuno Serra, do PSD, e José Ribeiro e Castro, do CDS-PP, subescreveram um manifesto em defesa da democracia em São Tomé e Príncipe.

Os quatro deputados integraram mesmo a comitiva do candidato a primeiro-ministro da Ação Democrática Independente (ADI), Patrice Trovoada, no seu regresso ao país, dois anos depois de ter sido afastado do poder por uma moção de censura.

«O povo teve a oportunidade de mostrar àqueles que ainda pensam que nós somos filhos de um deus menor que nós temos maturidade suficiente para enfrentar qualquer desafio e estamos num processo de melhoria da nossa democracia», disse o Presidente, eleito com o apoio do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social-Democrata (MLSTP - PSD).

O chefe de Estado referiu ainda que São Tomé e Príncipe «precisa das mãos de todos» para ultrapassar «as grandes dificuldades» que enfrenta, de uma «seleção nacional de gente de partidos diferentes com competência para enfrentar os desafios».

Doze partidos participam na corrida eleitoral, que permitirá escolher os deputados que ocuparão os 55 lugares na Assembleia Nacional, após a deposição, em 2012, do Governo de Patrice Trovoada, eleito dois anos antes.

Os três partidos da oposição na Assembleia Nacional uniram-se para aprovar a moção de censura que faria cair o governo de Patrice Trovoada, da ADI, tendo depois o Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, indicado Gabriel Costa, proposto pelo MLSTP-PSD, o segundo partido mais votado, para liderar um novo executivo.

Agora, os três partidos que suportam o Governo concorrem cada um por si. O MLSTP-PSD tem como cabeça-de-lista Osvaldo Vaz, o Partido da Convergência Democrática candidata António Dias e o Movimento Democrático Força da Mudança-Partido Liberal avança com o antigo Presidente da República Fradique de Menezes, enquanto Gabriel Costa concorre pela União para a Democracia e Desenvolvimento, um partido extraparlamentar.

Apesar de se candidatarem em separado, os três partidos que sustentam o Governo terão já um acordo assinado para manter a coligação após as eleições, mas este só foi assumido ainda por Fradique de Menezes.

Nas últimas eleições legislativas, em 2010, a ADI conseguiu eleger 26 deputados, o MLSTP-PSD 21, o PCD sete e o MDFM um.

Em simultâneo com as legislativas, decorrem as autárquicas e a regional.