Se David Cameron chegou a fazer as malas devido ao suposto empate que as sondagens anteviam, então agora está na hora de voltar a pôr tudo no sítio no número 10 de Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro britânico.
 
Garantida a maioria absoluta, Cameron terá poucos ou nenhuns entraves em avançar com as suas principais propostas eleitorais desde logo. Aliás, o primeiro discurso depois da vitória foi uma garantia disso mesmo.
 
Isto significa que, em 2017, a Europa vai assistir a um referendo sobre a saída ou permanência na UE de um dos Estados-membros mais poderosos e influentes. Antes, o primeiro-ministro britânico vai tentar fazer de tudo para alterar ou contornar os tratados europeus, sobretudo no que diz respeito à imigração.
 
Limitar o número de imigrantes e reduzir os benefícios sociais destes no Reino Unido são os objetivos de David Cameron. Propostas que agradaram ao eleitorado mais conservador e que terão, com um discurso mais suave mas dureza nas políticas, roubado votos ao UKIP, partido anti-UE e anti-imigração.

David Cameron e a mulher, Samantha, esta sexta-feira, à chegada à residência oficial
 


Internamente, a prioridade é manter o Reino literalmente Unido. Com a ascensão meteórica do SNP (56 deputados em 59 mandatos disponíveis), os Conservadores preparam-se para alargar os poderes do parlamento escocês, a promessa que fez ganhar o “não” no referendo do ano passado.
 
Na prática, trata-se de tornar Edimburgo um bocadinho mais independente, sobretudo no que diz respeito à política fiscal, para tentar evitar um novo referendo.
 
Se por um lado dá, por outro tira. É que Cameron deverá dar poder de veto aos deputados ingleses nas leis que apenas afetem Inglaterra, evitando assim uma oposição dura aos seus planos de austeridade por parte dos 56 Nacionalistas Escoceses que vão ocupar a Câmara dos Comuns.

David Cameron e a imagem que marcou a sua campanha eleitoral
 


Assim, será mais fácil o seu pacote de cortes para os próximos cinco anos, no valor de 30 mil milhões de libras, passar no parlamento. No anterior mandato, o valor chegou aos 100 mil milhões, o que deixa antever, e aliás o próprio já o prometeu, um alívio fiscal para alguns contribuintes britânicos.
 
Com o PIB a crescer e o desemprego a descer, a economia britânica também terá dado uma grande ajuda à grande vitória alcançada esta quinta-feira. Após os eleitores terem rejeitado uma mudança de rumo, cabe agora a Cameron conseguir equilibrar estes planos externos e internos.