Notícia atualizada às 13:36

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, apelou esta quarta-feira para que a polícia se mantenha longe das mesas de voto, durante as eleições gerais em Moçambique, e pediu aos eleitores que controlem o seu voto.

«Quero apelar para que as nossas eleições não sejam violentas e para que policia não seja dona do processo eleitoral, o processo é da Comissão Nacional de Eleições», declarou o candidato presidencial da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), depois de votar na Escola Secundária Polana, no centro de Maputo, e manifestando a convicção de que vai ganhar.

Por sua vez, o MDM, terceiro maior partido moçambicano, acusou os órgãos eleitorais de impedirem a presença dos delegados do partido nas assembleias de voto, considerando que a alegada obstrução poderá minar a credibilidade da votação.

«A ausência dos nossos representantes nas mesas de voto prevalece, porque os órgãos eleitorais não passaram as credenciais. Os órgãos eleitorais de base receberam instruções dos órgãos centrais para não permitir a presença dos nossos delegados», disse à Lusa, o porta-voz do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), Sande Carmona.    

Carmona não disse em quantas mesas de voto o MDM não está representado, sublinhando que «a situação prevalece em vários pontos do país» e que o partido tem delegados «numa e noutra mesa». 

O candidato presidencial do MDM, Daviz Simango, pediu ainda aos membros das mesas de voto que não «se pautem pela fraude como vinham fazendo».

«O importante é que todos aqueles que estão nas mesas não pautem pela fraude como o vinham fazendo, porque, afinal de contas, é este um momento de alegria, é um momento de união, é o momento de consolidarmos a nossa paz», afirmou Simango, após votar, na cidade da Beira, centro país, onde é presidente do município. 

O candidato presidencial da Frelimo, partido no poder em Moçambique, Filipe Nyusi, declarou em Maputo «confiança total» na sua vitória nas eleições gerais.

Dezenas de mesas de voto não abriram no centro e norte do país

Dezenas de assembleias de voto, maioritariamente no centro e norte de Moçambique, não abriram esta quarta-feira para as eleições gerais em Moçambique, segundo o boletim da Associação dos Parlamentares Europeus (AWEPA) e o Centro de Integridade Pública (CIP) moçambicano.

No seu boletim sobre o processo político de Moçambique, a AWEPA e o CIP, uma ONG moçambicana vocacionada para a transparência dos órgãos públicos, referiram que se registaram «enchentes» nas assembleias de voto nas primeiras horas de votação para as eleições gerais de hoje no país, mas o início do ato foi manchado pela não abertura de dezenas de assembleias de voto.

«O processo de votação para a eleição do novo Presidente da República, deputados para a Assembleia da República e membros das assembleias provinciais iniciou normalmente na maior parte do país, com grande parte das assembleias a abrirem a horas», segundo o boletim das duas organizações, divulgado às 11:30 locais (10:30 em Portugal)