Atualizado às 22:49

A polícia moçambicana envolveu-se hoje em confrontos com a população de Nampula, norte de Moçambique, quando tentava dispersar concentrações de pessoas junto de mesas de voto para as eleições gerais, testemunhou a Lusa no local.

Em vários pontos da periferia da cidade, onde reside a maioria da população, a polícia usou balas reais e gás lacrimogéneo para dispersar as pessoas que se mantinham perto das assembleias de voto, avisando-as que não podiam permanecer no local e tinham de ir para casa.

Contactado pela Lusa, Mahamudo Amurane, autarca eleito pelo MDM (Movimento Democrático de Moçambique), descreveu que «algumas pessoas dispersaram-se, mas outras voltaram», dando conta da existência de pelo menos um ferido.

Na Escola Primária e Completa do Belenenses, agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR), uma unidade especial, disparam e atingiram dois membros do MDM, verificou a Lusa no local.

Os próprios membros da polícia de proteção que guarneciam o local foram apanhados de surpresa pelos disparos efetuados pela FIR.

O início dos tumultos, segundo Amurane, coincidiu com um corte de energia, perto do fim votação, às 18:00 locais (17:00 em Portugal), hora prevista para o encerramento das urnas, acusando as autoridades policiais de intimidação, com vista a substituir as urnas com os boletins de voto reais das eleições hoje realizadas por outras previamente «enchidas».

Cerca das 22:00 locais, a energia já tinha sido restabelecida e ainda havia relatos de incidentes e ruas interrompidas na cidade por pneus a arder.

Além da cidade de Nampula, situações semelhantes ocorreram em Angoche, na mesma província, que corresponde ao maior círculo eleitoral de Moçambique, disse à Lusa fonte local.

O movimento social moçambicano Parlamento Juvenil revelou por seu lado que em duas escolas na Beira, segunda maior cidade do país, também houve registos de tiroteios e utilização de gás lacrimogéneo.

A maioria das 17 mil mesas de voto encerrou hoje às 18:00 locais (17:00 em Portugal), depois de mais de dez milhões de moçambicanos terem sido chamados para escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais.

No escrutínio concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos

Observatório Eleitoral pede «calma e serenidade»

O Observatório Eleitoral já veio apelar aos eleitores moçambicanos para a «calma e serenidade», após confrontações em algumas partes do país por suspeitas de fraude eleitoral, com o início do apuramento dos resultados das eleições gerais.

O membro do Observatório Eleitoral, Dinis Matsolo, destacou em comunicado os relatos de violência e agitação preocupantes em várias partes do país, assinalando que a sua instituição «está a fazer esforços» para investigar os casos.

«Gostaríamos de apelar a todos os eleitores a terem calma», disse o membro daquela que é a maior organização de observação presente nas quintas eleições gerais moçambicanas.