A Frelimo e o candidato presidencial Filipe Nyusi foram os mais votados nas eleições de quarta-feira entre os moçambicanos que votaram em Portugal segundo fonte dos órgãos eleitorais citada pela agência moçambicana AIM.

Nas eleições presidenciais e legislativas moçambicanas estavam recenseados em Portugal 1.284 eleitores, 585 dos quais na Grande Lisboa.

Nas presidenciais, dos 585 eleitores inscritos em Lisboa, votaram 514 pessoas. Deste universo eleitoral, 437 eleitores votaram Filipe Nyusi (Frelimo - Frente de Libertação de Moçambique).

No dia das eleições, a embaixadora de Moçambique em Portugal disse à Lusa que o número de eleitores aumentou trinta por cento em relação às eleições legislativas e presidenciais de 2009.

Apesar do aumento, Fernanda Lichale acrescentou que é preciso sensibilizar a diáspora no sentido do recenseamento explicando que são sobretudo “as distâncias” que afastam as pessoas da participação no processo.

«Eu creio que são as distâncias, não tanto a falta de interesse. As pessoas vivem em Lisboa muito dispersas e esta comunicação às vezes flui de forma deficitária. Acredito que muitos não se recensearam mas que noutras oportunidades o vão fazer. Aliás, já falei com alguns que não o fizeram porque no dia do recenseamento não estavam informados. Acredito que nos próximos pleitos vamos melhorar. É um processo, e em cada processo temos de ter um novo dinamismo», afirmou a embaixadora de Moçambique em Portugal.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados às urnas na quarta-feira para escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais. Concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos.

Os resultados oficiais provisórios, relativos a um quarto de votos apurados, davam vantagem à Frelimo, partido no poder, e ao seu candidato à Presidência da República, com cerca de 60% de votos, seguida pela Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido da oposição e seu líder, Afonso Dhlakama, com pouco mais de 30 por cento.

A observação eleitoral conjunta do Centro Carter e do Instituto Eleitoral para Democracia Sustentável em África (EISA) considerou hoje que a presença de membros e representantes partidários nas mesas de votação das eleições gerais moçambicanas não foi abrangente.

Segundo um relatório das duas organizações divulgado hoje durante uma conferência de imprensa, em Maputo, os 87 observadores da missão «notaram que, em geral, a presença de representantes dos partidos e membros de partidos políticos [indicados] nas assembleias de voto não foi abrangente».

No entanto, os observadores referem que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, foi entre todos os partidos o que melhor representação teve, embora apenas com um membro em 18% das 543 mesas de votação observadas - de um total de 17.010 -, afetas a 82 dos 151 distritos do país.

A chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE-UE) em Moçambique sugeriu  que a Renamo cumpra a lei e apresente queixas de alegadas irregularidades eleitorais, considerando que a votação «foi ordeira após uma campanha desequilibrada».

«As leis deste país preveem que os partidos possam fazer as suas queixas e mostrar as suas provas», afirmou hoje em Maputo, em conferência de imprensa, Judith Sargentini, chefe da MOE-UE, quando questionada sobre a declaração na quinta-feira da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, maior partido de oposição) de que não vai reconhecer a votação nas eleições gerais, alegando a ocorrência fraudes.